O dia seguinte foi uma tortura para Enzo.
Ele acordou no sofá do escritório do restaurante com uma dor de cabeça insuportável e a sensação desagradável de que tinha dormido apenas alguns minutos. O pescoço estava rígido, o corpo pesado e as lembranças da noite anterior voltaram antes mesmo que abrisse os olhos completamente. A discussão com Alana, as lágrimas dela, as próprias palavras ditas no estacionamento... tudo parecia repetir dentro da sua cabeça sem parar.
Permaneceu sentado por alguns instantes encarando o vazio antes de alcançar o celular sobre a mesa. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação. Nenhuma notificação dela. O silêncio parecia gritar mais alto do que qualquer conversa que já tinham tido.
Quase por impulso, abriu a conversa dos dois e começou a digitar.
"Bom dia."
Os dedos pararam sobre a tela. Ficou olhando para a mensagem durante vários segundos antes de apagar tudo. Já não sabia se tinha esse direito. Não sabia se Alana queria ouvir dele. E, pela primeira vez em muito tempo, não tinha certeza de qual seria a reação dela.
O restante da manhã não foi melhor.
Na cozinha do restaurante, errou pedidos simples, confundiu comandas e esqueceu ingredientes. Em determinado momento chegou ao absurdo de queimar um molho que preparava havia anos. Os funcionários começaram a trocar olhares discretos. Ninguém comentou nada diretamente, mas todos perceberam que havia algo errado.
Foi perto do horário do almoço que Emma apareceu.
Assim que entrou na cozinha, observou o irmão por alguns segundos antes de cruzar os braços.
— Você está com cara de quem foi atropelado.
Enzo soltou uma risada sem humor.
— Obrigado pela delicadeza.
— Sempre à disposição.
Ela puxou uma cadeira e sentou-se sem cerimônia.
— Quer me contar o que aconteceu?
— Não.
— Ótimo. Porque eu já sei.
Aquilo fez Enzo erguer os olhos.
Emma sustentou o olhar dele por alguns segundos antes de continuar:
— Eu estive com a Alana ontem.
O peito dele apertou imediatamente, mas tentou não demonstrar.
— E?
Emma suspirou.
— Ela chorou.
A frase foi simples, mas atingiu como um soco. Até aquele momento, toda a dor parecia concentrada nele. Toda a raiva. Toda a mágoa. Ouvir aquilo o fez perceber que também tinha machucado ela. Talvez tanto quanto tinha sido machucado.
Enzo desviou os olhos.
— Mas ela contou o que fez?
Emma permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Sim.
A resposta veio calma.
— E se arrepende.
Ele não respondeu.
Emma continuou observando o irmão antes de completar:
— Mas você sabe que a Alana se entregou de verdade.
Aquilo o deixou sem palavras.
Porque sabia.
Sabia desde o momento em que ela apareceu na porta do apartamento. Sabia pelo jeito que ela o olhava, pela forma como sorria quando ele aparecia de surpresa, pelas mensagens, pelos almoços, pelas conversas que atravessavam a madrugada.
Sabia por tudo.
E talvez fosse exatamente por isso que estivesse doendo tanto.
O silêncio se instalou entre os dois por alguns instantes. Então Enzo limpou as mãos no avental e mudou de assunto.
— Quer comer alguma coisa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...