Às treze e trinta, os três retornaram à Confecções Elite.
O galpão era barulhento; dezenas de máquinas de costura operavam simultaneamente, emitindo um som constante de "tá-tá-tá". O ar estava carregado com o cheiro de tecidos e tinturas, era abafado e úmido, dificultando até mesmo a respiração.
Adriana os guiou pela área de produção até os escritórios nos fundos.
Alguns operários pelo caminho ergueram a cabeça e seus olhares pousaram em Helena por alguns segundos.
A garota era bonita demais, de pele clara e feições delicadas, destacando-se totalmente naquele galpão poeirento.
Um jovem operário até deu um assobio.
O olhar de Matheus foi imediatamente em direção a ele, frio como uma lâmina.
Ao cruzar o olhar com o dele, o jovem operário rapidamente abaixou a cabeça, fingindo estar focado no trabalho.
Adriana bateu na porta do escritório.
— Entra.
Uma voz masculina e áspera veio de dentro. Ao abrirem a porta, um cheiro forte de cigarro tomou o ar.
O escritório era pequeno e estava cheio de amostras de tecido e documentos. Atrás da mesa central, estava sentado um homem na casa dos quarenta anos, um pouco acima do peso, com o cabelo liso e cheio de gel. Ele tinha um cigarro na boca e olhava para o celular.
Esse era o Silas Rocha.
Ao ver Adriana entrar, ele apagou o cigarro no cinzeiro e imediatamente abriu um sorriso.
— Adriana, como vai?
Ele se levantou. O seu olhar passou por Helena e Matheus, parou por dois segundos sobre Helena e, quando virou-se para Matheus, ele mostrou um leve sinal de hesitação.
— Quem são esses?
— Esta é minha sócia, Helena. — Adriana apresentou. — E este é o marido dela, Matheus.
O sorriso do Silas se alargou um pouco mais.
— Nossa, uma jovem empresária, o futuro realmente promete. — Ele estendeu a mão. — Silas Rocha, pode me chamar apenas de Silas.
Helena apertou a mão educadamente e logo a recolheu.
Matheus apenas assentiu com a cabeça, sem estender a mão.
Silas desviou o olhar por um segundo e seu sorriso pareceu um pouco forçado, mas logo voltou ao normal.
— Sentem-se, sentem-se, todos vocês. — Ele gesticulou. — Lucas, sirva chá para as visitas!
— Adriana, não é de hoje que a gente trabalha junto. — Ele sacudiu a cinza do cigarro, com um leve tom de impaciência. — O problema com essas marcas pequenas de vocês é que têm exigências demais para poucos pedidos. Pegamos essa encomenda de outono por consideração a uma cliente antiga, pra ser sincero.
Ele fez uma pausa, e o tom se tornou mais provocativo: — Agora, as amostras já saíram, e vocês vêm reclamar. Se fôssemos refazer os moldes e produzir de novo, perderíamos tempo e mão de obra. Quem vai pagar por esse custo extra?
O rosto de Adriana fechou: — Sr. Rocha, quando assinamos o contrato, concordamos que as peças seriam feitas conforme nossos desenhos e medidas. Se há um problema agora, a responsabilidade é claramente da sua fábrica—
— Que nossa responsabilidade? — Silas apertou o cigarro contra o cinzeiro e elevou o tom de voz. — O desenho de vocês não era claro desde o começo, e a tabela de medidas mudava toda hora. Agora que está pronto, vocês dizem que não serve, não estão apenas tentando arrumar briga atoa?
Enquanto falava, o olhar dele deslizou para Helena, carregado de um leve desdém.
— Helena, não é? Vocês, garotas novas, cheias de ideias... Mas fabricar roupas não é algo trivial, não se pode ser tão exigente e ficar mudando de ideia a todo momento.
Helena finalmente abriu a boca.
— Sr. Rocha. — A voz dela não era alta, mas soou bastante clara. — Nós não estamos sendo exigentes por nada, estou exigindo que vocês sigam o que está no contrato.
Ela retirou um documento da bolsa e o estendeu sobre a mesa.
— Este é o contrato que assinamos, o desenho do design, a tabela de medidas e o registro da modelagem do primeiro pedido. — Ela apontava para os dados, detalhando item por item. — A posição da cintura estava demarcada claramente. Na primeira leva vocês seguiram essas medidas, e o resultado final estava perfeito.
— Mas na coleção de outono, com o mesmo design, a cintura misteriosamente desceu três centímetros. — Ela ergueu os olhos para encarar Silas. — Isso não é um desvio; é que o seu modelista nem sequer seguiu o nosso pedido na hora de fazer o molde.

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