As feições eram profundas e marcantes, com um olhar frio. Ficar ali parado em silêncio já criava uma aura que desencorajava qualquer aproximação precipitada.
Além disso, o porte dele deixava claro que não era uma pessoa comum.
Adriana trabalhava no mercado havia anos e já conhecera muitos homens.
Mas poucos eram como Matheus.
Ela se recuperou e estendeu a mão com um sorriso: — Você deve ser o Matheus, certo? Sou a Adriana, sócia da Helena.
Matheus apertou a mão dela e assentiu: — Adriana.
— Vocês devem estar cansados da viagem. — Adriana checou as horas. — Já é quase meio-dia, vamos almoçar primeiro. Depois, à tarde, entramos na fábrica para conversar.
— Tudo bem. — Helena concordou.
Os três entraram no carro de Adriana, pois ela conhecia melhor a região e sabia onde comer por ali.
Matheus estacionou o carro na frente da fábrica, trancou-o e acompanhou as duas no CRV branco da Adriana.
Adriana os levou a um restaurante de comida caseira na cidade que parecia relativamente limpo.
O local era pequeno, mas servia pratos autênticos.
Pediram um Robalo ao Vapor, uma porção de Lombo Suíno com Pimentas, repolho refogado, sopa de ovo com bucha vegetal e uma grande tigela de arroz branco.
Os três se sentaram perto da janela.
Adriana serviu chá para Helena e Matheus, e soltou um suspiro.
— Helena, para ser sincera com você... — Ela baixou o tom de voz. — O dono desta fábrica, o Sr. Rocha, é muito esperto. Como o nosso primeiro pedido foi pequeno, ele fez vista grossa e o trabalho ficou até aceitável. Mas como a encomenda de outono foi maior, ele começou a agir de má-fé.
Helena assentiu: — Certo.
Matheus permaneceu em silêncio o tempo todo, apenas comendo tranquilamente.
Porém, Adriana conseguia sentir. O homem parecia distante, mas ouvia a tudo com muita atenção, emanando a perspicácia e a serenidade que um homem deveria ter.
Adriana lia muito bem as pessoas, e percebeu que o marido de Helena não era alguém comum. Alguns dos milionários que Adriana conhecia não possuíam uma presença tão forte quanto a dele.
Depois de comer, Adriana se apressou para pagar a conta.
Os três saíram do restaurante sob o brilho ofuscante do sol, e uma onda de calor os atingiu.
Adriana checou o relógio: — É uma e meia, vamos voltar para a fábrica.
Helena respirou fundo e concordou com a cabeça: — Vamos.

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