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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 86

O dossiê incluía algumas fotos dela com a diretora da instituição, além de imagens de anos recentes onde ela atuava como voluntária no próprio orfanato.

Alba não havia mentido...

Então, ela realmente não era Stella?

Ele atirou a pilha de papéis no banco vazio ao lado e perguntou, com a voz embargada:

— Tem certeza de que a investigação foi minuciosa?

Murilo respondeu com firmeza:

— Sim. A própria diretora confirmou pessoalmente. Alba cresceu lá desde pequena. E ela aprendeu a língua de sinais com a própria diretora, porque havia muitas crianças com deficiência auditiva no abrigo. Esse ponto é incontestável.

Jefferson recostou-se no banco, subitamente drenado de todas as suas forças.

Se Alba fora criada em um orfanato de Rio das Artes, seria impossível ser Stella...

Pois as raízes de Stella estavam em Altavista, uma cidade próxima a Brisamar.

As cronologias simplesmente não batiam.

— E sobre a faculdade que ela cursou por ensino à distância, vocês checaram?

— Tudo verificado. A Dra. Aragão se formou através do polo EAD da Universidade Rio das Artes. E obteve sua carteira da OAB há exatos três anos.

Jefferson afrouxou o colarinho com irritação e massageou as têmporas latejantes.

Então, ele realmente havia confundido as duas?

Mas Alba e Stella tinham uma quantidade absurda de semelhanças...

Como podiam existir tantas coincidências no mundo?

Murilo notou a expressão sombria de seu chefe. Sabia muito bem que aquele resultado o deixara profundamente frustrado.

Correndo o risco de levar uma bronca, não conseguiu evitar um conselho:

— Sr. Soares, embora a Dra. Aragão se pareça muito fisicamente com a senhora Stella Soares, não há como serem a mesma pessoa. Afinal, a senhora Stella era surda-muda...

Jefferson ergueu as pálpebras pesadas. O fundo de seus olhos estava tomado por veias vermelhas:

— Stella me disse uma vez que a condição dela não era congênita. Havia a possibilidade de, com os anos, ela ter encontrado algum tratamento e recuperado a fala...

Não era um cenário impossível.

E fora justamente por isso que, desde o início, ele não usou a deficiência auditiva como o critério absoluto para descartar a hipótese.

Ele se guiava apenas por seus instintos.

Se ela tivesse perecido no incêndio, as mãos dele estariam manchadas com aquele sangue.

Mas, ainda assim, ele daria tudo para que ela vivesse, nem que fosse apenas para lhe conceder a chance de rastejar por perdão...

Após um longo e pesado silêncio, Murilo mudou de assunto:

— O senhor ainda vai voltar para a Casa Palmeira Real esta noite?

Quando Jefferson ia responder, o celular vibrou.

Ao verificar a tela, viu uma notificação do WhatsApp.

Era um áudio de Adelina.

Ele pressionou a opção de transcrever para texto.

"Jefferson, já passa da meia-noite, você ainda está preso no escritório? Estou te esperando em casa. Não se esqueça da nossa promessa para a Bruna, vamos todos juntos ao aquário amanhã."

Após ler a mensagem com uma expressão gélida e impenetrável, guardou o aparelho e ordenou:

— Para a Casa Palmeira Real.

— Sim, senhor.

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