Alba mordeu o lábio inferior novamente.
Ele não sabia, mas a universidade era a cicatriz mais profunda em sua vida.
Ela também havia estudado na Universidade do Brisamar.
Mas não chegou a se formar.
E a culpa disso era inteiramente de Jefferson.
No passado, mais desolador do que Jefferson tê-la abandonado no incêndio para salvar Adelina, sua eterna musa intocável, foi o que descobriu ao retornar ao campus após sobreviver por um triz.
Ela foi informada de que todos os seus registros acadêmicos e documentos de identidade haviam sido cancelados.
Jefferson tinha emitido a sua certidão de óbito.
Em menos de sete dias.
Ele teve tanta pressa em enterrá-la viva...
Lembrar-se daquilo fazia uma dor torturante e asfixiante dilacerar o seu peito.
O olhar que ela lançou a Jefferson transbordava um ressentimento sutil, porém denso.
— Minha nota no ENEM não foi suficiente para entrar em uma boa universidade pública. Por isso, acabei cursando Direito à distância pela Universidade Rio das Artes. Ao contrário de você, que é um ex-aluno brilhante da prestigiada Universidade do Brisamar...
Assim que as palavras saíram, Alba se arrependeu.
Não deveria ter deixado a emoção dominá-la, perdendo a frieza e falando demais.
Como era de se esperar, Jefferson abriu a porta do carro e saiu.
Ele se encostou no veículo, a silhueta alta e impecável. Com as pernas casualmente cruzadas, irradiava uma aura fria e de pura aristocracia.
Tirou um cigarro do bolso, abaixou a cabeça, protegeu a chama do isqueiro contra o vento e, após acendê-lo, deu uma tragada profunda.
A fumaça densa se espalhou pelo ar, fazendo Alba tossir.
Ela cobriu o nariz e deu dois passos para trás, enquanto a voz indiferente do homem soava:
— Parece que você sabe muito sobre mim. Sabe até onde eu me formei.
Alba respondeu:
— Com o status elevado do Sr. Soares, qualquer pesquisa rápida na internet revela todo o seu currículo.
— Ah, é mesmo?
O homem, com o cigarro entre os dedos, massageou as têmporas:
— Pelo visto você presta bastante atenção em mim. Fez o seu dever de casa direitinho.
— ...
Havia uma intenção oculta em suas palavras.
— Sim.
Ela confessou de forma categórica.
Após dizer isso, Alba encerrou qualquer possibilidade de continuar a conversa. Virou as costas e se afastou apressadamente.
Observando a mulher sumir em meio a uma viela precária e escura, o semblante de Jefferson tornou-se ainda mais gelado que a brisa noturna.
Encostado no Rolls-Royce, ele percorreu o ambiente com o olhar.
A área era cercada por casas velhas e construções irregulares de alvenaria.
A rua ficava colada a uma feira livre popular, e calçadas estavam tomadas por pilhas de lixo ainda não recolhido.
O ar fedia a restos em decomposição e esgoto.
O inútil do namorado dela realmente a deixava morar num buraco daqueles...
O homem franziu o cenho, fumou mais um cigarro encostado no carro e, por fim, entrou no veículo.
Assim que o luxuoso carro deixou o bairro periférico para trás, Murilo entregou-lhe uma pasta de documentos:
— Sr. Soares, aqui estão todos os registros do passado da Dra. Aragão no orfanato em Rio das Artes...
Jefferson pegou os papéis. Após lê-los minuciosamente, a mão que segurava a pasta começou a tremer levemente.
Os documentos provavam que Alba era, de fato, uma órfã criada em Rio das Artes.

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