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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 31

Murilo encostou o carro na beira da rua.

Ele pegou um porta-comprimidos, tirou algumas pílulas e as ofereceu a Jefferson:

— O médico já avisou que, para o seu problema, a pior coisa é o estresse e o excesso de preocupações.

Jefferson tomou o remédio e, após descansar um pouco, a intensidade da dor de cabeça diminuiu.

Com o carro em movimento novamente, Murilo reuniu coragem para aconselhá-lo:

— Sr. Soares, até os bombeiros confirmaram na época que a Stella Soares não foi resgatada. Por que o senhor insiste em ficar preso ao passado...

— Eu prefiro que ela esteja viva e me odeie a acreditar que ela morreu...

Jefferson encostou-se no banco, parecendo exausto e derrotado.

Suas mãos longas cobriram os olhos, escondendo a umidade brilhante que escapava de suas pálpebras avermelhadas.

Como uma fera ferida prestes a morrer, ele murmurou com a voz fraca:

— A Stella não pode estar morta...

Murilo suspirou.

O Sr. Soares sempre carregou uma imensa culpa pela morte de Stella Soares.

Toda vez que encontrava uma garota parecida com ela, ele prestava atenção e tentava se aproximar.

Fazia de tudo para descobrir a verdade.

Mesmo com o atestado de óbito emitido pela polícia, ele continuava teimosamente procurando pelo mundo garotas que lembrassem Stella Soares.

Murilo imaginou que a exigência do Sr. Soares para que a Dra. Aragão entrasse no Grupo Soares fosse, em parte, porque ela tinha semelhanças com Stella Soares...

...

Mais de meia hora depois.

O Rolls-Royce estacionou em frente à delegacia.

Fabiano saiu do prédio.

Tendo passado apenas três dias na carceragem, ele havia emagrecido visivelmente.

Seu cabelo estava uma bagunça.

Havia marcas de briga em seu rosto.

Toda a sua arrogância e rebeldia habituais haviam desaparecido.

Ao ver Jefferson, ele gritou o nome do amigo com a voz embargada e correu em sua direção para dar um abraço apertado, mas o homem desviou o corpo.

— Entre no carro.

A voz soou fria e sem qualquer emoção.

Fabiano não se importou.

Jefferson era sempre frio com todo mundo.

Assim que entrou no carro, ele começou a reclamar:

O cigarro ainda aceso entre os dedos de Jefferson havia sido esmagado diretamente nas costas da mão de Fabiano.

— Je... Jefferson! Isso dói!

Fabiano berrava.

Após soltá-lo, Jefferson ordenou a Murilo:

— Faça-o sair do carro.

— Sim, senhor.

Rapidamente, Murilo parou o carro.

Balançando a mão com a bolha da queimadura, Fabiano olhou pela janela:

— Jefferson, estamos no viaduto. Você tem coragem de me largar aqui?

— Quer que eu chute você para fora?

O rosto bonito e sério do homem ganhou um ar de impaciência. Fabiano, acovardado, encolheu os ombros, abriu a porta e saiu.

— Jefferson, eu...

Ele ainda queria dizer algo para acalmar os ânimos, mas o Rolls-Royce acelerou e partiu.

— Jefferson, quando a minha irmã voltar do exterior, eu vou contar tudo para ela!

Fabiano encarou as luzes traseiras do carro se distanciando e, com raiva, deu um chute na grade de proteção.

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