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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 155

[Talles, quero conversar com você. Esta mensagem é privada, não deixe sua mãe saber.]

Ao ler a mensagem, Talles franziu a testa na mesma hora.

No momento em que ele entrou no parquinho pela manhã, tinha avistado Jefferson acompanhando Bruna e Adelina, e ainda pensou, com certa empolgação, que finalmente teria a chance de conhecer o pai.

Mas tudo acabou em confusão.

Além disso, vendo a irmã Elara machucada e a mãe sendo empurrada e tratada com frieza por Jefferson, Talles já não tinha a menor boa impressão daquele pai.

Se antes sentia curiosidade e expectativa, agora só restava um ressentimento silencioso.

Ele respondeu friamente:

[Eu não tenho nada para conversar com o senhor.]

A resposta veio logo em seguida.

[Você não quer saber sobre a sua mãe?]

Ao ver isso, Talles apertou o celular com força.

Aquelas palavras acertaram em cheio o ponto mais sensível dele.

Depois de hesitar por alguns segundos, ele digitou:

[O que o senhor quer falar?]

Jefferson respondeu apenas com um endereço.

[Venha amanhã de manhã. Conversaremos pessoalmente.]

Talles olhou para a tela do celular, o rosto infantil tomado por seriedade.

Na varanda, Alba e Gabriela ainda conversavam.

Elara também estava distraída com o desenho animado.

Ninguém reparou na expressão dele.

Talles abaixou a cabeça e apagou as notificações da conversa.

No dia seguinte, bem cedo, Alba se levantou e preparou o café da manhã, deixando tudo pronto na mesa.

Gabriela e as crianças ainda dormiam.

Ela deixou um bilhete e saiu em direção à delegacia.

Pouco depois de Alba sair, Talles abriu os olhos.

Ele tinha dormido mal a noite toda, pensando na mensagem de Jefferson.

Depois de se levantar em silêncio, vestiu-se rapidamente.

Ao passar pela sala, Demian, que também tinha acordado, esfregou os olhos e perguntou:

— Mano, para onde você vai tão cedo?

Talles pensou por um momento e respondeu:

— Vou resolver uma coisa. Não conta para ninguém.

Demian arregalou os olhos.

— Nem para a mamãe?

— Nem para a mamãe.

Demian percebeu o tom sério do irmão e assentiu.

— Tá bom.

Talles saiu sozinho.

Seguindo o endereço enviado por Jefferson, chegou a um café mais reservado.

Ao entrar, viu Jefferson sentado perto da janela.

O homem vestia um terno escuro e tinha diante de si uma xícara de café intocada. Sua postura era fria e imponente.

Ao avistar Talles, ele ergueu os olhos.

Talles apertou os dedos ao lado do corpo, respirou fundo e foi até ele.

Jefferson observou o menino com atenção.

As feições do garoto eram delicadas, mas entre as sobrancelhas havia algo teimoso e firme, muito parecido com Alba.

— Sente-se.

Jefferson disse.

Talles não se mexeu.

Jefferson ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois, disse em voz baixa:

— O que aconteceu ontem foi um mal-entendido.

Talles soltou uma risada curta, nada infantil.

— Se fosse com a sua filha, o senhor também chamaria de mal-entendido?

O semblante de Jefferson endureceu por um instante.

A pergunta era quase idêntica à que Alba tinha feito no hospital.

Por algum motivo, isso o incomodou profundamente.

Talles continuou:

— O senhor queria me ver só para dizer isso?

Jefferson fixou os olhos nele.

— Quero que você me diga a verdade. Você é filho da Alba?

A respiração de Talles travou.

Por um instante, ele quase achou graça da pergunta.

Depois, respondeu com amargura:

— Claro que sou filho da minha mãe. Que tipo de pergunta é essa?

Jefferson percebeu a brecha na resposta.

Ele estreitou os olhos.

— E o seu pai?

Talles ficou em silêncio.

O ambiente pareceu congelar.

Depois de alguns segundos, ele respondeu:

— Isso não é da conta do senhor.

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