[Talles, quero conversar com você. Esta mensagem é privada, não deixe sua mãe saber.]
Ao ler a mensagem, Talles franziu a testa na mesma hora.
No momento em que ele entrou no parquinho pela manhã, tinha avistado Jefferson acompanhando Bruna e Adelina, e ainda pensou, com certa empolgação, que finalmente teria a chance de conhecer o pai.
Mas tudo acabou em confusão.
Além disso, vendo a irmã Elara machucada e a mãe sendo empurrada e tratada com frieza por Jefferson, Talles já não tinha a menor boa impressão daquele pai.
Se antes sentia curiosidade e expectativa, agora só restava um ressentimento silencioso.
Ele respondeu friamente:
[Eu não tenho nada para conversar com o senhor.]
A resposta veio logo em seguida.
[Você não quer saber sobre a sua mãe?]
Ao ver isso, Talles apertou o celular com força.
Aquelas palavras acertaram em cheio o ponto mais sensível dele.
Depois de hesitar por alguns segundos, ele digitou:
[O que o senhor quer falar?]
Jefferson respondeu apenas com um endereço.
[Venha amanhã de manhã. Conversaremos pessoalmente.]
Talles olhou para a tela do celular, o rosto infantil tomado por seriedade.
Na varanda, Alba e Gabriela ainda conversavam.
Elara também estava distraída com o desenho animado.
Ninguém reparou na expressão dele.
Talles abaixou a cabeça e apagou as notificações da conversa.
No dia seguinte, bem cedo, Alba se levantou e preparou o café da manhã, deixando tudo pronto na mesa.
Gabriela e as crianças ainda dormiam.
Ela deixou um bilhete e saiu em direção à delegacia.
Pouco depois de Alba sair, Talles abriu os olhos.
Ele tinha dormido mal a noite toda, pensando na mensagem de Jefferson.
Depois de se levantar em silêncio, vestiu-se rapidamente.
Ao passar pela sala, Demian, que também tinha acordado, esfregou os olhos e perguntou:
— Mano, para onde você vai tão cedo?
Talles pensou por um momento e respondeu:
— Vou resolver uma coisa. Não conta para ninguém.
Demian arregalou os olhos.
— Nem para a mamãe?
— Nem para a mamãe.
Demian percebeu o tom sério do irmão e assentiu.
— Tá bom.
Talles saiu sozinho.
Seguindo o endereço enviado por Jefferson, chegou a um café mais reservado.
Ao entrar, viu Jefferson sentado perto da janela.
O homem vestia um terno escuro e tinha diante de si uma xícara de café intocada. Sua postura era fria e imponente.
Ao avistar Talles, ele ergueu os olhos.
Talles apertou os dedos ao lado do corpo, respirou fundo e foi até ele.
Jefferson observou o menino com atenção.
As feições do garoto eram delicadas, mas entre as sobrancelhas havia algo teimoso e firme, muito parecido com Alba.
— Sente-se.
Jefferson disse.
Talles não se mexeu.
Jefferson ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois, disse em voz baixa:
— O que aconteceu ontem foi um mal-entendido.
Talles soltou uma risada curta, nada infantil.
— Se fosse com a sua filha, o senhor também chamaria de mal-entendido?
O semblante de Jefferson endureceu por um instante.
A pergunta era quase idêntica à que Alba tinha feito no hospital.
Por algum motivo, isso o incomodou profundamente.
Talles continuou:
— O senhor queria me ver só para dizer isso?
Jefferson fixou os olhos nele.
— Quero que você me diga a verdade. Você é filho da Alba?
A respiração de Talles travou.
Por um instante, ele quase achou graça da pergunta.
Depois, respondeu com amargura:
— Claro que sou filho da minha mãe. Que tipo de pergunta é essa?
Jefferson percebeu a brecha na resposta.
Ele estreitou os olhos.
— E o seu pai?
Talles ficou em silêncio.
O ambiente pareceu congelar.
Depois de alguns segundos, ele respondeu:
— Isso não é da conta do senhor.

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