Alba apoiou-se no braço da cadeira para se levantar. Quando chegou à porta da sala de exames, Jefferson estava saindo com Elara nos braços.
— Mamãe, eu quero o colo da mamãe...
Elara resistia ao colo de Jefferson. Ao ver Alba, inclinou o corpo e esticou os bracinhos, tentando se jogar na direção da mãe.
Alba estendeu as mãos para pegá-la, mas Jefferson se esquivou levemente para o lado.
— Você estava prestes a desmaiar há um minuto. Acha mesmo que tem forças para segurar uma criança?
Alba franziu os lábios pálidos.
De fato, sua cabeça ainda girava e ela se sentia fraca; seria muito difícil carregar a menina naquele estado.
— Mamãe, o que aconteceu com você?
Ouvindo o que Jefferson disse, Elara olhou para a mãe, preocupada.
Antes que Alba pudesse responder, Jefferson acariciou a cabeça da menina.
— Sua mãe não está se sentindo muito bem.
Com essas palavras, ele acomodou Elara em um dos braços, segurou o pulso de Alba com a mão livre e as conduziu de volta à área de espera. Colocou a criança na cadeira e ajudou Alba a se sentar novamente.
— Espere aqui um instante. Vou buscar os resultados dos exames para você.
Dizendo isso, caminhou em direção à sala de tomografia.
— Mamãe, o moço mau... parece que já não é tão mau assim.
Elara murmurou baixinho.
Alba franziu a testa, mas permaneceu em silêncio.
Felizmente, depois de descansar um pouco, a sensação de vertigem diminuiu bastante.
Ainda assim, seu corpo continuava sem muita energia.
Cerca de dez minutos depois, Jefferson voltou com as imagens da tomografia de Elara.
— Tem mais algum exame pendente?
Ele perguntou.
Alba pegou o envelope e balançou a cabeça negativamente.
— Quer que eu acompanhe vocês até o consultório do médico agora?
— Sim, eu levo a menina...
Antes que ela terminasse a frase, Jefferson se inclinou e pegou Elara no colo mais uma vez.
— Eu levo vocês.
A essa altura, Elara já não tinha tanto medo dele quanto antes. Com os olhinhos brilhantes, encarou-o e disse:
— Moço, você não pode mais fazer mal para a minha mamãe.
Um leve sorriso curvou os lábios de Jefferson.
Ao sair do consultório com a filha, ela viu Jefferson encostado na parede do corredor, a certa distância. A postura dele era alta e elegante; com uma mão segurava duas sacolas e, com a outra, falava ao celular.
Ao ouvir os passos, o homem virou o rosto, encerrou a chamada e foi até ela.
— O que o médico disse?
Alba puxou a filha, dando um passo para trás. O tom de voz dela era gélido.
— A gravidade exata dos ferimentos será comunicada a você pela polícia mais tarde.
Dito isso, segurou firme a mão de Elara e saiu andando.
Jefferson estendeu o braço para impedi-la.
— Deixe-me levar vocês para casa.
— Não precisa.
O homem apertou os lábios e lhe entregou uma das sacolas.
— Você está com hipoglicemia. Coma alguma coisa antes de ir.
— Obrigada, mas eu já estou me sentindo bem.
Alba empurrou a sacola de comida de volta para as mãos dele, pegou a mãozinha da filha e se afastou a passos rápidos.
Observando as duas figuras, uma alta e uma pequena, desaparecendo no corredor, Jefferson franziu o cenho. Aquela dor surda e inexplicável voltou a apertar seu peito.

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