Ele vestia um terno de alta-costura perfeitamente ajustado ao corpo.
O tecido era de extrema qualidade, e a sua aura era nobre e luxuosa, algo totalmente incompatível com a confusão e a fumaça daquele shopping popular.
Naquele momento, ele estava com as sobrancelhas franzidas, encarando Alba com um olhar severo.
A sua voz soou tão calma que beirava a falta de humanidade:
— Não bata nela.
Os olhos arregalados de Alba estavam injetados de sangue. As lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos, rolando pelo rosto e, por fim, caindo uma a uma.
— Não bata nela?
Ela olhou para o homem com os olhos transbordando ressentimento, raiva e ódio, e soltou uma risada fria e sarcástica, a voz nitidamente trêmula:
— Jefferson... você realmente tem o dom para ser cego!
As pupilas de Jefferson tremeram violentamente, e a sua voz seguiu o mesmo tremor:
— Como você sabe...
— Cai fora!
Antes que ele pudesse terminar, Alba gritou com ele, enfurecida.
Finalmente, o ódio em seus olhos se transformou em nojo absoluto, e ela usou toda a sua força para se soltar da mão dele.
Jefferson ficou atônito.
Ele já tinha visto Alba brava antes, e ela parecia um gatinho que havia acabado de mostrar os dentinhos afiados: fofa e irritada, mas completamente inofensiva.
Mas a Alba de agora era totalmente diferente.
O seu corpo inteiro exalava uma aura gélida.
Com um olhar assassino, ela fuzilava Patricia de forma letal.
Patricia levou um susto com a intensidade do olhar e, imediatamente, puxou a mãozinha de Bruna, recuando para perto de Jefferson.
— O que... o que você quer fazer me olhando com essa cara feia? Foi a sua filha que derrubou a minha, e agora a cabeça dela está com um galo enorme. Se acontecer alguma coisa com a minha menina, eu acabo com você!
Como se Alba tivesse alguma paciência para ouvir qualquer bobagem a mais naquele momento.
O que era certo ou errado já não importava diante da vontade assassina que fervia dentro dela.
Ela queria ter uma faca nas mãos e esfaquear até a morte aquela Patricia que havia estapeado a sua preciosa filha!
Justo quando ela ia avançar, completamente sem razão e consumida pelas chamas da raiva, para agredir Patricia, Jefferson a segurou pelo pulso novamente, puxando-a com força para afastá-la:
— Alba, se acalme.
Naquele momento, Adelina chegou atrasada.
Ela correu um pouco apressada, ainda ofegando, e abraçou Bruna, que estava encolhida ao lado de Jefferson:
— Bruna, você se machucou? Está doendo?
Bruna fez um biquinho tristonho e apontou para o galo inchado na testa:
— Mamãe, dói aqui...
— Meu amor, não tenha medo, a mamãe vai passar a mão.
Adelina tinha o olhar transbordando de aflição.
Porém, assim que ela tocou na cabeça da filha, Bruna começou a chorar de dor.
— Dói... Mamãe, dói muito.
Ao ouvir isso, Adelina ficou com tanto medo que não se atreveu a encostar mais nela.
Jefferson curvou-se, pegou Bruna no colo e lembrou a Adelina:
— Vamos primeiro ao hospital.

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