Jefferson soltou o braço do abraço dela, abaixou a cabeça e deu uma olhada no relógio de pulso:
— Já passa das dez da noite. Vamos providenciar a sua alta amanhã de manhã.
Adelina pensou um pouco e segurou o braço dele de novo:
— Jefferson, então você pode passar a noite aqui comigo?
O homem manteve uma expressão impassível e soltou um murmúrio de concordância:
— Uhum.
...
No dia seguinte.
Sábado.
Após servir o café da manhã para as crianças, Alba começou a se ocupar lavando roupas e limpando a casa.
Talles se encolheu no sofá, pegou o celular para jogar e só então reparou que a solicitação no WhatsApp havia sido aceita.
Seus olhos brilharam e, muito empolgado, ele chamou os irmãos:
— O Sr. Soares aceitou!
Demian logo se animou:
— Então a gente devia mandar uma mensagem pra ele, não é?
Os olhos de Elara estavam reluzentes:
— Vamos perguntar primeiro se o Sr. Soares é bonitão.
Talles e Demian a encararam sem acreditar:
— Abordar as pessoas já perguntando se elas são bonitas é muita falta de educação.
Dizendo isso, Talles digitou uma frase e enviou:
"Você é muito rico?"
As sobrancelhinhas de Elara se ergueram:
— Maninho, perguntar isso é mais falta de educação ainda, sabia?
— Deixa comigo!
Demian tomou o celular da mão de Talles, digitou uma mensagem e enviou:
"Você é casado?"
Elara revirou os olhos:
— Se vocês forem tão diretos, vão espantar o Sr. Soares. Deixa eu tentar!
Dizendo isso, ela arrancou o celular da mão dele, digitou desajeitadamente uma frase e apertou enviar.
"Manda uma foto sua, e tem que estar bem gatão, hein."
— Muito obrigada, Dona Renata, mas é melhor a senhora guardar para comer.
Dona Renata era famosa na vizinhança por ser extremamente pão-dura.
Era muito estranho vê-la ser tão simpática de repente e ainda dar presentes.
Mesmo que Alba quisesse aceitar, não teria coragem.
Afinal, favores geram dívidas, e quem aceita presentes depara-se com obrigações no futuro.
— Ih, Alba! Vai me dizer que você ainda está chateada comigo por causa daquela vez que eu não pude olhar as crianças para você?
Dona Renata perguntou, rindo.
Alba balançou a cabeça:
— Não é isso, Dona Renata. A senhora está imaginando coisas.
— Então fica com a sacola! Somos vizinhas, pra que tanta cerimônia?
Dizendo isso, Dona Renata empurrou a sacola de volta para os braços dela.
Alba não teve escolha a não ser aceitar, agradecendo mais uma vez.
Vendo que Dona Renata não parava de sorrir para ela, imaginou que a vizinha precisava de algo. Então, convidou-a para entrar e sentar:
— Dona Renata, a senhora veio me procurar porque precisa de algum favor?

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