Demian perguntou:
— E o papai também teve outros filhos?
Ao ouvir isso, Elara sacudiu a mão da mãe:
— Será que os outros filhos do papai são mais bonzinhos que a gente, e por isso ele não quer vir nos ver? É isso?
Alba ficou sem palavras por um momento.
Quanto mais ela tentava explicar, pior ficava.
E seu coração apertava de tristeza.
O fato de as crianças fazerem esse tipo de pergunta mostrava o quanto sentiam falta da figura paterna e o quanto ansiavam por ela.
Com o coração doendo, Alba apertou os filhos em um abraço protetor:
— O papai tem a vida dele, nós não precisamos dele. A mamãe vai estar sempre aqui com vocês...
Talles ergueu o rostinho e olhou para ela:
— Já que a gente não precisa do papai, quando é que a mamãe vai arrumar um pai novo pra gente?
Demian concordou:
— É verdade, mamãe, a gente pode ter um pai novo?
— ...
A mente das crianças era mesmo muito simples.
Num segundo, estavam encucados com o motivo do pai biológico não vir vê-los; no segundo seguinte, já queriam um pai novo para substituí-lo.
Sem saída, ela perguntou, curiosa:
— E que tipo de pai novo vocês gostariam de ter?
Talles não hesitou:
— Um que seja rico.
Demian completou:
— Um que seja carinhoso.
Alba não conseguiu conter um sorriso e virou-se para a filha.
Os olhos de Elara brilhavam como estrelas:
— Eu queria um pai parecido com... aquele senhor que a gente encontrou no aquário da outra vez. Ele era muito bonito! Quero um pai novo e bonitão igualzinho a ele.
— ...
O sorriso nos lábios de Alba desapareceu aos poucos.
Sua filha estava falando de Jefferson...
Olhando para os rostinhos ansiosos de seus filhos, ela os confortou com uma voz suave:
Tanta proatividade não era do feitio dela.
Normalmente, quando o via, ela ficava toda nervosa ou agia como se quisesse fugir dele a todo custo.
Duas tentativas seguidas de adicioná-lo no WhatsApp eram mesmo uma novidade.
Após encarar a solicitação por um longo tempo, ele finalmente clicou em aceitar.
Ao entrar na tela de conversa, ele esperou um pouco. Vendo que a pessoa não mandava nenhuma mensagem, sentiu-se como se estivesse sendo feito de bobo. Fechou a cara e jogou o celular de lado.
— Jefferson.
Nesse momento, Adelina se aproximou e sentou-se ao seu lado.
Jefferson guardou o celular, colocou o notebook na mesa de centro, virou-se e olhou para ela:
— Por que não está deitada descansando?
Adelina agarrou o braço dele com intimidade:
— Eu já estou internada faz dias, fiz todos os exames possíveis e não tenho nada grave. Quero ter alta e voltar para casa, pode ser?
Jefferson ponderou por dois segundos e respondeu:
— Tudo bem.
Adelina encostou a cabeça no ombro dele:
— Estou com saudade da nossa filha, vamos para casa agora, por favor?

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