Até mesmo colocar o relógio e ajustar as abotoaduras tinham que ser feitos por ela.
Nesses momentos, ele perdia sua habitual aura sombria e parecia um cachorrão carente e apegado.
Apesar da aparência intimidadora, também tinha seus momentos de extrema dependência afetiva.
Mas as coisas não eram mais como seis anos atrás.
— Sr. Soares, vista-se você mesmo...
Ela recusou com a voz abafada, de cabeça baixa.
O homem ergueu o rosto delicado dela:
— Troque logo de roupa para eu poder sair mais rápido.
Dizendo isso, segurou com firmeza a cintura fina dela.
Seus lábios finos roçaram a orelha dela, e a voz soou rouca e grave:
— Ou será que você não quer que eu saia?
Enquanto falava, a respiração quente dele batia no pescoço dela, causando um arrepio incômodo e formigante na pele.
Entre o susto e a tensão de uma atmosfera de amantes escondidos, Alba ficou tão constrangida que seu rosto avermelhou por completo.
— Não é isso, vista-se sozinho...
Ela tentou empurrá-lo, constrangida.
O homem não cedeu um milímetro. Apenas abaixou os olhos e a observou com total paciência.
Como se estivesse dizendo que não sairia por aquela porta hoje se ela não o ajudasse.
Era claramente uma ameaça proposital.
Alba olhou em direção à porta e, mordendo os lábios de frustração, começou a vesti-lo de forma ágil e experiente.
Ao abotoar a camisa, virava o rosto, evitando tocar nos músculos esculpidos do peito e no abdômen absurdamente definido e atraente dele.
Durante todo o tempo, o homem não tirou os olhos dela.
Seu olhar era tão ardente que parecia querer atravessá-la.
Alba sentiu um arrepio de nervosismo no couro cabeludo sob aquele olhar.
Exatamente quando ela amarrava a gravata, Jefferson agarrou sua cintura repentinamente e, com um pequeno esforço, ergueu-a e a sentou na bancada da pia.
O corpo do homem avançou sobre ela. Com a outra mão, ele segurou firmemente a nuca de Alba, inclinou a cabeça e a beijou de forma profunda e intensa.
Naquele instante, a mente de Alba pareceu explodir em fogos de artifício.
O beijo tornou-se ainda mais fervoroso que antes.
Não lhe dando a menor brecha para respirar.
Estimulado pelo terror e pelo risco constante de serem descobertos naquele romance proibido, o beijo tornou-se cada vez mais frenético.
Logo, Alba ficou tonta com o beijo, precisando se agarrar a ele para suportar a pressão daquele contato cada vez mais opressivo.
O beijo durou muito tempo.
Durou tanto que Alba quase sufocou nos braços dele. O homem finalmente parou e olhou para a mulher amolecida em seu abraço, como se visse o reflexo de Stella, aninhada nele quando sofria o pior de seus abusos no passado.
— Stella...
Inebriado pelo desejo, ele esfregou sua testa na dela, encostou as pontas dos narizes e soltou um hálito que queimava a pele.
Sem forças, Alba tremia, cravando as unhas nos ombros dele, e lembrou com uma voz fraca:
— Sr. Soares, eu não sou a Stella...
O homem deu um selinho suave nos lábios dela:
— Alba, quando estiver comigo, você é a Stella, e só pode ser a Stella...

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