O olhar sombrio de Jefferson pousou sobre a mulher em seus braços.
Ela usava uma pesada jaqueta corta-vento do aplicativo de entregas.
A peça, excessivamente larga, envolvia seu corpo de forma desleixada, fazendo com que parecesse ainda mais frágil.
Nesse momento, a palma larga e quente dele, separada pelo tecido rígido, segurava firmemente aquela cinturinha tão fina que parecia que poderia quebrar com um pouco mais de força.
O rosto dela estava manchado de vinho tinto.
Talvez por causa do calor, o zíper da jaqueta estava aberto.
Por baixo, havia um suéter de lã.
Encharcado pelo vinho vermelho vivo, a fina camada de tecido colava-se à pele, delineando perfeitamente o formato de seus seios.
Com a respiração levemente ofegante dela, aquela proporção invejável parecia querer saltar à vista.
O pomo de Adão do homem se moveu, e sua voz soou com uma rouquidão quase imperceptível:
— Bebeu?
Pelas roupas, ela deveria estar fazendo entregas.
Mas, como é que estava bebendo?
Alba piscou os olhos amendoados que pareciam ter sido banhados em vinho, encarando o homem à sua frente com um olhar nebuloso:
— Jefferson...
Mas logo em seguida bateu de leve na própria cabeça.
Não... não podia ser ele.
Ela com certeza estava tão bêbada que estava tendo alucinações...
— Sim, eu sou o Jefferson.
Ao ver o corpo dela vacilar, Jefferson apertou mais o abraço em sua cintura e respondeu em tom neutro.
Ao ouvir novamente aquela voz familiar, Alba sacudiu com força a cabeça confusa.
— É você mesmo?
Como se quisesse confirmar, ela estendeu a mão lentamente.
Os dedos brancos e delicados traçaram vagarosamente as feições esculpidas do rosto do homem.
Passaram pelos olhos profundos e marcantes.
Pela ponte reta do nariz.
Quando os dedos roçaram seus lábios finos, a respiração de Jefferson tornou-se levemente abrasadora, e a mão grande que apertava a cintura fina da mulher se fechou com mais força.
A outra mão segurou aquela mãozinha atrevida sobre seus lábios.
Ele olhou profundamente para a mulher que já estava tão embriagada que nem conseguia reconhecer as pessoas direito:
— Você está bêbada, tem certeza de quem eu sou?
Alba estava realmente bêbada.
Mas a pressão só aumentou.
Logo em seguida, Jefferson tirou o paletó que vestia, cobriu-a por inteiro, pegou-a no colo e entrou em um quarto de hóspedes ali ao lado.
No exato instante em que a porta estava prestes a se fechar, uma mão grande a bloqueou.
— Jefferson?
Apenas um instante antes, Fabiano vinha pelo corredor e viu uma silhueta de perfil ao longe.
Parecia muito com Jefferson.
E, além disso, parecia estar carregando alguém nos braços.
Uma mulher.
Coberta por um paletó masculino.
Logo depois, pensou que talvez fosse efeito da bebida e que seus olhos o estivessem traindo.
Enquanto ainda refletia, a voz distante e fria de Jefferson chegou aos seus ouvidos:
— O que você está fazendo aqui?
Fabiano afastou os pensamentos, segurou-se no batente da porta e, enquanto enfiava a cabeça para espiar lá dentro, respondeu distraidamente:
— Aniversário de um amigo, uma pequena comemoração...
Nesse momento, Alba, que estava escondida atrás da porta pelo corpo do homem, recostou-se exausta e sem forças nas costas de Jefferson.

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