— Você com certeza não quer ir parar na delegacia de novo, quer?
Ao ouvir a última frase, Fabiano ficou ainda mais furioso:
— Pergunte a essas pessoas, quem encostou um dedo em você?
Alba achou que não fazia sentido continuar discutindo.
Pegou o celular, e quando estava prestes a discar para o 190, Fabiano segurou seu pulso:
— Mesmo que você chame a polícia, todos nós aqui vamos unificar a história, vamos jurar de pé junto que foi você quem estragou o bolo, e no fim, você ainda terá que pagar por ele.
Naquelas palavras, ela acreditou.
Na verdade, ela nunca quis chamar a polícia de verdade.
Uma vez que a polícia fosse envolvida, Jefferson com certeza iria intervir para proteger Fabiano.
No fim das contas, quem sairia perdendo seria ela.
Além disso, ir para a delegacia no meio da noite, prestar depoimento, tentar mediação... quando saísse, já estaria quase amanhecendo.
As crianças ainda estavam em casa...
Alba percebeu que Fabiano também não queria chamar a polícia, então, perguntou com paciência:
— Então, o que você quer?
Fabiano apontou para as seis taças de vinho tinto na mesa de centro:
— Beba todas, e não vou cobrar o bolo de você.
Alba hesitou.
Os outros começaram a instigar.
— O Sr. Botelho já está te dando uma colher de chá, tá esperando o quê? Beba logo!
— É isso aí, não se faça de rogada!
Fabiano encostou-se na porta, observando-a com um olhar indolente.
Com uma postura de que, se ela não bebesse, não sairia daquela sala hoje.
Seis taças, ela aguentava.
Antes, quando estava com Jefferson, muitas vezes o acompanhava em jantares de negócios.
— Tudo bem, eu bebo.
Alba cerrou os dentes, caminhou até a mesa de centro, inclinou-se, pegou uma taça e virou de uma vez.
O líquido alcoólico e ardente desceu rasgando por sua garganta. Alba suportou o desconforto, ergueu a segunda taça e levou à boca.
Fabiano estreitou os olhos:
— Boa resistência.
Alba continuou e ergueu a terceira taça, entornando na boca.
A quarta taça...
Na quinta, sentiu uma leve tontura.
Seu corpo vacilou, incapaz de se sustentar com firmeza.
As pessoas presentes começaram a apostar.
Queria encontrar o banheiro.
Sentia vontade de vomitar.
Mas sua visão ficava cada vez mais embaçada.
As luzes ofuscantes bagunçavam ainda mais sua percepção, impedindo-a de distinguir a direção.
Até que ela tropeçou e caiu em um peito firme e quente.
— Des... desculpe.
Ela manteve a cabeça baixa e gaguejou.
Assim que terminou de falar, seu corpo amoleceu e começou a deslizar para o chão.
Um braço aterrissou a tempo em sua cintura.
Com um puxão firme, pescou-a inteira para seus braços.
— Alba.
A voz do homem era fria e severa.
Ele fixou um olhar sombrio e gélido na mulher em seus braços, que cheirava a álcool.
Ao ouvir aquele chamado familiar, Alba levantou lentamente a cabeça.
Na visão turva, era possível discernir vagamente um rosto masculino de beleza gélida e inigualável.
— Sr. Soares.

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