Ela fingiu não estar familiarizada com o lugar e perguntou.
O homem virou a cabeça. Seu olhar era como a noite profunda, escuro e desprovido de qualquer luz.
— Este foi o primeiro lugar para o qual Stella me trouxe para fazer uma trilha.
Ao dizer isso, ele observava atentamente cada minúscula expressão no rosto dela.
Como se buscasse alguma resposta oculta em seus traços.
Alba reprimiu o turbilhão de emoções em seu peito e perguntou em um tom calmo:
— O Sr. Soares não consegue esquecer a sua irmã, Bruna. O senhor gosta muito dela, não é?
O homem ficou em silêncio por um longo tempo antes de responder com uma voz neutra:
— Eu me sinto em dívida com ela.
Após dizer isso, ele se virou e caminhou de volta para o carro.
Alba ficou paralisada no lugar.
O coração doía mais do que o vento gelado cortando seu rosto.
Então, a razão pela qual ele a procurava era apenas por um sentimento de culpa?
Arrependimento por tê-la abandonado no incêndio anos atrás?
Ou talvez pelo tapa que havia lhe dado?
Alba olhou para a árvore frondosa, sentindo uma profunda melancolia e ironia.
Seis anos atrás, ela o obedeceu. Agiu como um coelhinho dócil, disposta a ficar ao seu lado por livre e espontânea vontade, apenas para receber em troca a frase de que a presença dela o "incomodava".
Seis anos depois, recebia a declaração de que ele "se sentia em dívida".
Se ele nutriu um pingo de sentimento por ela, então essa "dívida" era o máximo que ele poderia oferecer.
Nesse momento, Alba sentiu um alívio imenso. Alívio por não ter sido reconhecida, alívio por ainda ter a chance de se afastar dele para sempre.
Ao entrar no carro, para evitar conversas, ela encostou a cabeça na janela e fingiu dormir.
Jefferson apenas a observou em silêncio, sem perturbá-la.
Quando o carro parou na beira da rua antes da entrada da vila, Alba abriu os olhos e disse a Jefferson:
— Obrigada por me trazer de volta, Sr. Soares.
O tom era educado e distante.
Ao terminar, colocou o cartão bancário na mão dele.
No instante em que ela abriu a porta para descer, Jefferson segurou o pulso dela.
Felizmente, todos já estavam dormindo.
Sentou-se à beira da cama por um momento, depois voltou ao seu quarto, pegou um pijama e foi tomar um banho.
Após o banho, deitou-se na cama, mas o sono não vinha.
Ela tocou os próprios lábios.
A ferida do corte que ele fizera com a mordida ainda estava ali.
As palavras que ele havia dito naquela noite ecoavam em seus ouvidos como uma maldição.
Alba revirou-se na cama, agitada. Sem conseguir dormir de jeito nenhum, acabou abrindo a gaveta, pegou um frasco de remédio, tirou um comprimido e engoliu.
O sono que se seguiu foi profundo.
No dia seguinte, ela só acordou por volta das oito da manhã.
Sorte que era domingo e podia descansar um pouco mais.
Enquanto se preparava para levantar, uma notificação de mensagem piscou na tela do celular.
Eram algumas mensagens da representante de turma, Mariana.
— Stella, haverá uma celebração de centenário na Universidade do Brisamar. Espero que você possa vir, pois essa será a última palestra da Professora Almeida.

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