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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 104

Já passava das dez da noite.

Fazer Gabriela vir até ali levaria pelo menos uma hora.

Voltar a pé... ela temia que o sol nascesse antes de chegar em casa.

Só então ela compreendeu por que ele a deixara partir com tanta facilidade, tanto na primeira vez quanto agora.

Ele sabia muito bem que, sem a sua ajuda, ela não conseguiria sair do Bosque dos Ipês.

Alba cerrou os dentes.

Sem margem para teimosia, caminhou até o carro, abriu a porta e entrou.

Sentou-se, mais uma vez, no banco próximo à janela.

Nenhum dos dois disse uma palavra. O silêncio dentro do espaço limitado do veículo tornou-se opressivo.

Parecia que o único som audível era o batimento cardíaco e a respiração suave de cada um.

Pouco tempo depois de o carro começar a andar, Jefferson abaixou o vidro da janela.

O vento frio e cortante invadiu o interior, fazendo-a estremecer por inteiro.

Instintivamente, ela apertou a gola de seu casaco grosso.

Foi forçada a virar a cabeça, seguindo o olhar dele em direção ao exterior do veículo.

A noite lá fora estava escura, e antes que ela pudesse distinguir o que ele observava com tanta atenção, ouviu a ordem direcionada a Murilo:

— Pare o carro.

Assim que o veículo parou suavemente no acostamento, Jefferson abriu a porta e, com sua postura alta e pernas longas, desceu.

Logo em seguida, a porta do lado dela foi aberta.

A voz do homem, mais úmida e fria do que a própria noite, ecoou sobre ela:

— Desça.

Alba franziu a testa e olhou para ele.

Ele permanecia firme como uma rocha, com um braço apoiado na porta do carro, tão imponente e opressivo quanto uma montanha.

Incapaz de resistir à aura dominadora que ele exalava, ela obedeceu e desceu do carro.

Quando seus pés tocaram o chão, Jefferson tirou o próprio casaco e o colocou sobre os ombros dela.

— Caminhe um pouco comigo.

— ...

Um passeio no meio da noite?

Ela ficou atônita. O vento gélido da serra batia no seu rosto, causando dor.

Ele abaixou o olhar para encará-la.

Alba balançou a cabeça de forma contida.

Cinco ou seis minutos depois, Jefferson a colocou no chão.

Ele segurou a pequena mão dela, parou debaixo do ipê e não disse absolutamente nada.

Ficaram apenas ali, em silêncio.

Alba olhou para a árvore, sentindo como se uma antiga ferida estivesse sendo aberta novamente.

Aquele lugar guardava uma de suas memórias mais profundas com ele.

Naquele dia, sob a sombra daquela mesma árvore...

Ele a abraçara com força.

— Stella, não tenha medo. Faremos nossas vidas juntos para sempre...

Para sempre...

Que ironia!

Encarar o passado trouxe uma dor surda ao coração de Alba.

— Sr. Soares, o que viemos fazer aqui?

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