O sol ainda nem tinha nascido completamente quando Adrian já estava pronto para sair.
Lívia o observava da porta do escritório, tentando entender o que exatamente tinha mudado desde a ligação da noite anterior. Havia uma urgência diferente nele. Algo mais sério do que qualquer coisa que ela tinha visto até agora.
— Você vai sozinho? — perguntou.
Ele fechou um dos botões do paletó antes de responder.
— Não.
— Então eu vou junto.
Adrian levantou o olhar.
— Não é uma boa ideia.
— Não foi uma pergunta.
O silêncio se instalou por alguns segundos.
— Isso pode ser perigoso.
— Minha vida já é perigosa desde o momento em que aceitei me casar com você.
A resposta fez algo no olhar dele mudar.
— Lívia…
— Eu não quero mais ficar esperando enquanto todo mundo decide coisas por mim.
Ele suspirou.
— Certo.
O coração dela acelerou.
— Certo?
— Mas você vai ficar perto de mim o tempo todo.
— Prometo.
Minutos depois, o carro já avançava pelas ruas ainda vazias da cidade.
Lívia olhava pela janela, sentindo a ansiedade crescer dentro dela.
— Para onde estamos indo?
— Um galpão antigo no distrito industrial.
— Parece seguro.
Ele soltou um pequeno sorriso.
— Não é.
Quando chegaram, dois homens da equipe de segurança já estavam esperando.
O lugar era escuro, abandonado e silencioso.
O tipo de cenário que fazia qualquer pessoa querer dar meia-volta.
Mas Lívia continuou andando.
— Foi aqui que encontraram a pista? — perguntou.
— Sim.
Um dos seguranças abriu uma porta de metal enferrujada.
O som ecoou pelo espaço vazio.
Lá dentro havia caixas espalhadas, documentos rasgados e marcas no chão que indicavam movimentação recente.
Adrian caminhou lentamente, observando cada detalhe.
— Eles estavam aqui há poucas horas.
— Quem? — perguntou Lívia.
— Pessoas ligadas a Victor.
Ela sentiu um arrepio.
De repente, algo chamou sua atenção.
No canto do galpão havia uma mesa improvisada.
Sobre ela, um celular quebrado.
Lívia aproximou-se.
— Adrian… olha isso.
Ele pegou o aparelho com cuidado.
— Talvez consigamos recuperar alguma coisa.
Mas não foi o celular que fez o coração dela parar.
Foi o papel que estava logo ao lado.
Um papel com um endereço escrito à mão.
E um nome.
Seu próprio nome.

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