Rylan
Ela estava desfeita.
Deitada naquela cama, o corpo ainda trêmulo do prazer que arranquei com a boca, Jenna era uma visão que me partia ao meio. Uma maldição divina, uma bênção que eu não merecia.
Mas o problema não era ela. Era eu.
Eu estava destruído. Minha respiração saía pesada, o corpo pegando fogo, o jeans apertando de forma quase insuportável a ereção que pulsava por ela. Meu lobo rugia, faminto, exigindo que eu a tomasse ali, agora, que cravasse minhas presas em sua pele e a marcasse como minha para sempre.
Mas eu não podia. Não assim. Não enquanto a guerra rugia lá fora e minha alma ainda carregava o peso de escolhas erradas.
"Jenna..." Minha voz saiu rouca, um fio de controle me segurando enquanto minhas mãos ainda repousavam em sua cintura, quentes contra sua pele nua. "Eu preciso... de um momento. Só um momento."
Ela se mexeu sob mim, o movimento sutil, mas devastador, e o som que escapou de seus lábios, um ronronar baixo, provocante, foi como uma faca no meu peito. Seus dedos subiram pelo meu peito, traçando linhas lentas que fizeram meus músculos se contraírem. "Por quê, Rylan?" perguntou, a voz entrecortada, carregada de um desejo que me fazia querer jogar tudo pro alto. "Por que tá parando? Eu quero você. Quero sentir você... me fazer sua loba de verdade."
Aquelas palavras foram um soco no meu estômago. Meu quadril, como se tivesse vontade própria, pressionou contra o dela, o calor entre suas pernas me puxando como um ímã. Fechei os olhos por um segundo, o lobo dentro de mim uivando, implorando para ceder. "Droga, Jen," murmurei, a voz tremendo de tensão. "Você não sabe o que tá pedindo. Se eu te tomar agora, não vai ser só... isso. Vai ser tudo. Minha marca, minha alma, meu sangue. E eu não posso fazer isso até que seja certo."
Ela franziu o cenho, os olhos oscilando entre o fogo do desejo e uma faísca de frustração. "E o que é certo pra você, Rylan?" retrucou, sentando-se na cama, o sutiã ainda meio solto, expondo mais pele do que meu autocontrole podia suportar. "Você tá me dizendo que quer esperar por alguma coisa te impede? Ou é porque não me quer o suficiente?"
A pergunta me pegou desprevenido, e uma risada amarga escapou antes que eu pudesse conter. "Não te quero o suficiente?" Repeti, incrédulo, dando um passo para trás para não ceder à tentação de puxá-la contra mim. "Jenna, você tá me matando. Cada pedaço de mim tá gritando pra te tomar agora, pra te marcar até que o mundo saiba que você é minha. Mas eu me importo com você. Com o que isso significa. Não quero te reivindicar no calor do momento e te prender a um Beta que ainda tá tentando consertar os próprios erros."
Ela cruzou os braços, o movimento fazendo o sutiã escorregar ainda mais, e eu precisei desviar o olhar por um instante para não perder o fio da razão. "Você tá falando como se eu não tivesse escolha," ela disse, a voz firme, mas com uma pontada de vulnerabilidade. "Como se eu não soubesse o que quero. Eu te quero, Rylan. Não me importo com suas regras, com a guerra, com nada. Só quero você."
"Então não se segure," ela sussurrou, puxando-me pelo cinto, os dedos roçando perigosamente perto de onde eu mais a queria. "Me toma, Rylan. Me marca. Me faz sua."
Por um instante, o mundo parou. A imagem dela, confiante, nua, implorando por mim, era mais do que eu podia suportar. Meu lobo avançou, as presas formigando, prontas para cravar em seu pescoço. Mas então, com um esforço que me rasgou por dentro, dei dois passos para trás, quase tropeçando na minha própria fraqueza.
"Você é minha," confirmei, os olhos cravados nos dela, ardendo com uma promessa que eu mal conseguia conter. "Mas eu só vou te reivindicar quando puder te dar tudo. Quando essa guerra acabar, Jenna, eu juro... minhas presas vão encontrar esse pescoço, e você vai ser minha em cada canto desse mundo."
Ela abriu a boca para protestar, mas eu já estava me virando, o corpo em chamas, o nome dela queimando na minha língua. "Fica aí," murmurei, a voz falhando. "Porque se você vier atrás de mim agora, eu não vou responder por mim mesmo."
E com isso, saí do quarto, o coração disparado, o lobo uivando em agonia, e a certeza de que Jenna já era dona de mim, mesmo sem uma marca.

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