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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 176

Nuria

O quarto parecia menor a cada minuto.

Eu andava de um lado para o outro, sentindo o piso frio sob os pés, tentando sufocar a vontade de descer as escadas e encará-lo de novo.

Por que eu aceitei tão fácil?

Por que não gritei? Não bati nele? Não fiz ele engolir cada palavra cruel que me lançou?

A verdade era amarga demais para ignorar.

Eu sabia.

Eu já estive exatamente onde ele estava agora.

Eu conhecia aquela dor desesperada, aquela sensação de que nada e ninguém seriam suficientes para tapar o buraco que a perda deixava.

Então, por mais que a minha loba exigisse reação, por mais que cada fibra do meu corpo quisesse pressioná-lo a enxergar o que estava fazendo com a gente... eu entendi.

E ainda assim...

Por que esse vazio dentro de mim parecia crescer?

Eu disse que esperaria.

Disse que estaria aqui.

Mas uma parte de mim gritava em silêncio, implorando para que ele viesse.

Para que lutasse por nós.

Para que lembrasse do que construímos, antes que tudo desmoronasse.

Talvez eu tenha me acostumado demais.

Com os mimos.

Com o jeito como ele me olhava como se fosse tudo.

Com a presença dele envolvendo o ambiente inteiro, me protegendo até quando estava em silêncio.

Com o calor dos olhos que me incendiavam por dentro.

Com o toque firme que me ancorava... que fazia o mundo lá fora desaparecer.

E agora, sem isso...

Sem ele...

Era como se algo dentro de mim estivesse apagando devagar.

Respirei fundo, decidida.

Talvez eu não pudesse salvá-lo da dor, mas não ia deixá-lo afundar sozinho.

Estava prestes a sair do quarto quando a porta se abriu.

E lá estava ele.

Parado na soleira, como uma sombra imensa, olhos de prata queimando em uma tempestade silenciosa.

Por um instante, nos encaramos.

Dois guerreiros feridos.

Dois corações quebrados.

Nenhum de nós falou.

Nenhum de nós recuou.

Finalmente, ele quebrou o silêncio:

"Estava indo a algum lugar?" perguntou, a voz baixa, rouca, com um tom mais suave do que eu esperava.

Cruzei os braços, tentando manter a calma.

"Não," respondi. "Só ia... conferir se você estava bem."

Houve uma pausa longa.

Muito longa.

Então, ele deu um passo para dentro.

"Não estou bem," confessou, e a honestidade crua nas palavras dele quase me derrubou. "Nem um pouco."

Meu peito apertou.

Stefanos se aproximou com passos lentos, até que o calor dele me envolvesse de novo.

Apertei levemente. "É aqui que começa a mudança."

Ele não se mexeu.

Apenas me olhou. Como se estivesse à beira de um precipício.

"Os caminhos que seguimos vão continuar nos testando," continuei. "Eles vão tentar nos dobrar, nos quebrar. Mas se a gente se afastar agora... se permitir que isso destrua o que estamos construindo... então tudo, absolutamente tudo, terá sido em vão."

O brilho nos olhos dele mudou.

Ainda havia dor.

Mas por trás dela...

havia amor.

Medo.

Desejo de não falhar.

Stefanos abaixou a cabeça, como se minhas palavras fossem mais pesadas do que ele podia carregar.

Encostei minha testa na dele.

"Eu não quero um homem perfeito," sussurrei. "Quero você. Mesmo com falhas. Mesmo com medo. Eu estou aqui pra te lembrar como se ama... até quando você esquecer."

Ele fechou os olhos com força. O maxilar trincado. A respiração presa no peito.

"Eu não quero perder você," ele disse, num fio de voz. "Nem o nosso bebê. Vocês são tudo o que eu tenho."

"Então não nos afaste, meu amor," pedi, sentindo meu coração se partir e se curar ao mesmo tempo. "Não nos exclua da sua dor."

Os olhos dele encontraram os meus. E ali havia entrega. Verdade.

As mãos dele subiram até minha cintura. Me puxaram para perto com uma força desesperada, como se me prender em seus braços fosse a única forma de permanecer inteiro.

E naquele abraço quase brutal, eu soube.

Ainda havia esperança.

Ainda havia nós.

Mesmo em meio ao caos.

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