O abraço dos três se prolonga em silêncio, como se o tempo estivesse finalmente tentando reparar o que havia despedaçado. Ela sente o calor dos pais ao seu redor e percebe o quanto havia sentido falta daquilo… daquele lugar onde, apesar de tudo, ainda era amada.
Quando os braços começam a se soltar devagar, Rafaela segura a mão da filha com força, como se tivesse medo de soltá-la de novo.
— Entra, filha… vem para dentro. A gente precisa de um tempo com você — diz, tentando conter as lágrimas que teimam em voltar. — Vou pedir que preparem um jantar especial essa noite, com tudo o que você gosta.
Com o coração ainda acelerado, Ava entra na casa, segurando com firmeza a mão da mãe. O ambiente está silencioso, acolhedor, e por um segundo ela sente que nunca deveria ter saído dali.
— Onde está o meu irmão?
Antes de responder, Rafa troca um olhar rápido com o marido, como se já esperassem por aquela pergunta.
— Ele ficou na casa da sua avó, no Brasil — Ethan responde. — Achamos melhor deixá-lo por lá mais um tempo.
— Não contamos nada a ele sobre você — acrescenta Rafaela, com um tom mais contido. — Estávamos com medo de como ele reagiria.
— Então decidiram… esperar que eu aparecesse?
— Sim — Seu pai confirma, pegando novamente em sua mão — Não foi uma escolha fácil. Mas queríamos comprovar que estava mesmo viva e bem. Já não bastava a nossa agonia, não queria mais passar isso para ninguém.
Com o olhar cheio de carinho, Rafaela se inclina um pouco.
— Ele te ama muito, Ava. Ficou arrasado com tudo o que aconteceu. Mas ele é impulsivo… e sabemos que se ele soubesse que você estava viva, não teria a mesma paciência de esperar como esperamos por você.
— Eu quero vê-lo — Ava diz. — Quero abraçá-lo.
— E vai — Ethan assegura. — Tratarei de ligar para ele agora mesmo, tenho certeza de que ele sairá do Brasil imediatamente, só para estar aqui o mais rápido possível.
Assentindo, Ava aperta as mãos dos pais, agora com um pouco mais de paz no olhar.
Pela primeira vez, em muito tempo… ela sentia que pertencia de novo àquele lugar.
Ao se sentar no sofá da sala, engole em seco, percebendo que, além da emoção estampada nos rostos dos pais, havia também uma preocupação silenciosa com tudo o que ela havia vivido.
— Agora nos conta, Ava… — diz Ethan com a voz baixa. — O que aconteceu com você, minha filha?
Respirando fundo, ela abaixa o olhar por um momento, enquanto decide por onde começar. Suas mãos se entrelaçam, nervosas.
— Eu sofri um acidente, pai — começa, com a voz firme, apesar da emoção. — Na verdade, não foi um acidente. Foi uma tentativa de assassinato.
O silêncio que toma conta da sala é imediato, cortante. Os rostos de Ethan e Rafaela perdem a cor.
— O... quê? — sussurra Rafaela, com os olhos arregalados.
— O meu noivo — Ava continua. — Eu o flagrei me traindo e ele tentou me silenciar.
Enquanto conta o que houve, Ava nota a mãe cobrindo a boca com a mão, chocada. Enquanto Ethan se levanta de súbito, com o olhar tomado por fúria e incredulidade.
— Aquele miserável! — murmura, com os punhos cerrados. — Onde ele está agora? Eu vou matá-lo com minhas próprias mãos!

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