Cada palavra que sai da boca de Hector deixa James mais confuso.
A postura firme, o olhar calmo, o tom de voz seguro… tudo nele faz parecer que ele se sente o dono da situação. Por outro lado, James sente o peito apertar, a respiração acelera. Um peso toma seus ombros à medida que percebe: ele foi visto.
Alguém estava lá. Alguém viu.
Ele recua meio passo, como se quisesse escapar da pressão crescente.
— O que você quer, Hector Moreau? — pergunta com a voz dura, mas reprimida. — Que eu me lembre, você e a Ava não se davam nada bem.
Sorrindo com a situação, Hector se diverte com o desespero alheio.
— E não nos damos — confirma, com indiferença. — Mas tem uma coisa sobre mim que talvez você ainda não tenha entendido, James… Eu não consigo ver alguém sofrendo… e simplesmente não fazer nada.
Fechando os punhos com mais força, James sente a raiva crescer dentro dele.
— O que você fez?
— Tirei a Ava do mar — revela.
A frase fica no ar por alguns segundos.
O impacto da revelação atinge James em cheio. Ele balança a cabeça levemente, como se aquilo não fizesse sentido. Como se sua própria mente tentasse negar a realidade.
— Você o quê…?
— Depois, levei-a para minha casa. Cuidei dela. Ela quase morreu, Clivan. Quase… Mas eu não deixei que isso acontecesse.
O maxilar de James se contrai e seus olhos parecem que irão pegar fogo.
— Desgraçado… — murmura, entre os dentes. — Por que fez isso? Não seria mais vantajoso para você ver uma concorrente sumir?
— Ah, claro que seria — confessa Hector, sem mostrar nenhum tipo de sentimento na voz. — Mas acredito que posso conseguir mais coisas com ela viva.
— O que você quer, hein? — James explode, cheio de raiva e confusão. — Salvou a vida da Ava, mas deixou o mundo inteiro achar que ela está morta. Isso só pode significar uma coisa: você tem um plano.
Sorrindo de leve, aquele sorriso frio e controlado que sempre precede uma jogada certeira, Hector responde:
— E eu tenho — diz, sem rodeios. — Quero a empresa dela.
Os olhos de James se estreitam. Agora as peças começam a se encaixar. Ele balança a cabeça devagar, como quem tenta entender onde se meteu.
— Fiquei sabendo que a Ava te deu algumas ações — Hector continua, com a voz baixa e firme. — Imagino que não foram poucas, já que não era segredo de ninguém o quanto ela te amava.
James solta uma risada curta e amarga.
— Então é isso? Você quer as minhas ações?
— Quero todas. — A resposta de Hector vem sem hesitação.
Cruzando os braços, desconfiado, James questiona:
— E o que eu ganho com isso?
— Te dou a Ava — declara Hector, com a calma de quem entrega uma carta poderosa sobre a mesa. — E aí, você pode tentar fazer com ela… o que não conseguiu da última vez.
Os olhos de James escurecem como a própria noite ao redor deles. Há uma frieza ali que não se via há muito tempo — não a frieza de quem está no controle, mas de quem começa a entender que ainda tem uma carta na manga.
Ava estava viva.
Sim, viva.

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