Sentindo a gravidade daquela situação, Mark corre em direção à garagem para pegar o seu automóvel, no entanto, Hector se adianta e diz:
— Vamos no meu carro, ele é muito mais rápido.
Sem dar espaço para discussão, ele entra no carro do amigo. Hector pisa no acelerador com força e o carro arranca, saindo da casa em velocidade.
Voltando a falar com a mãe, dessa vez acompanhando a localização dela em tempo real, Mark pede por mais informações.
— Mãe, eles ainda continuam atrás de você? — pergunta, voltando a atenção para o celular.
A voz de Charlotte sai trêmula do outro lado.
— Sim… eles continuam, não importa quantas ruas eu entre para desviar do caminho.
Hector se inclina levemente para mais perto de Mark, ouvindo a ligação.
— Pergunta se ela conseguiu ver o rosto da pessoa que dirige — diz em voz baixa.
— Mãe, conseguiu ver o rosto da pessoa que dirige?
— Não… está escuro demais e os vidros são muito escuros também. Mas tenho certeza de que são dois homens. Eles estão acelerando mais agora.
Apertando o volante com força, Hector fixa seus olhos na estrada.
— Fica calma, tá? Já estamos bem perto.
Charlotte inspira fundo, tentando manter o controle.
— Eles estão mais próximos, estão colando em mim.
— Se eles tentarem te encostar, j**a o carro para uma avenida movimentada — Hector diz, firme. — Liga os faróis altos, buzina, chame atenção. Eles não vão fazer nada se tiver gente em volta.
— Entendido — responde Charlotte, engolindo em seco. — Só… venham rápido, por favor.
As luzes da avenida costeira cortam a escuridão da madrugada quando Mark e Hector dobram a curva em alta velocidade, até que Mark aponta à frente:
— Ali! É o carro da minha mãe.
Enquanto isso, Charlotte dirige visivelmente nervosa, e atrás dela, quase colada no para-choque, está a BMW que ela havia descrito.
— É ele… — Mark murmura.
— O que será que esse desgraçado quer com a sua mãe?
— Mãe, a gente já está te vendo. Encosta agora, com calma. A gente está logo atrás de você.
— Tudo bem… — Charlotte responde, com a voz trêmula.
Ela puxa o carro devagar para a lateral da avenida, próximo a uma praça iluminada. Sem hesitar, a BMW também encosta. Nada discreta.
Logo em seguida, a porta do carro azul se abre e James desce com a calma de quem acha que está no controle. E começa a andar na direção do carro de Charlotte como se estivesse indo conversar… como se não tivesse acabado de segui-la pelas ruas da cidade.
Mas ele para de andar assim que outro carro chega, estacionando logo atrás do carro dele.
Ele se vira, vendo a porta se abrir e Hector Moreau descer dele, sem pressa, sem palavras, só com aquele olhar que já dizia muita coisa. Fechando a porta com força, Hector começa a andar em direção a James com calma. O tipo de calma que vem antes da explosão.
James dá um passo para trás, surpreso ao vê-lo ali. Mas rapidamente disfarça e solta um sorriso pequeno, quase debochado.
— Que coincidência… — diz, com a voz mansa.
Hector para diante dele, o encarando sem desviar o olhar.
— Coincidência? — solta, com a voz firme. — Não brinca, Clivan. Você não é bom com coincidências.

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