Assustada por achar que Hector ouviu alguma coisa, Charlotte se afasta de perto de Ava bruscamente, sentindo-se nervosa por ouvir o tom da voz dele.
— Responde! — Hector insiste, ao ver que as duas permaneciam em silêncio.
— Eu estava apenas medicando a Ava — explica Charlotte, com a cabeça baixa.
— Não é o que parece — ele comenta, se aproximando mais, mostrando não estar convencido com aquela resposta.
Percebendo que ele estava tentando intimidar Charlotte, Ava decide se posicionar.
— Então, o que acha que estávamos fazendo? — ela indaga, erguendo a cabeça em desafio.
— Eu não sei, me diga você — ele rebate, fulminando-a com os olhos.
— Para quem anda fazendo coisas erradas, qualquer atitude se torna suspeita — Ava diz, provocando-o.
Hector respira fundo, tentando controlar sua frustração pela resposta que recebe.
— Não tente me tirar do sério, Ava, não sou eu quem precisa de você — declara.
— Não é o que penso — ela rebate. — Se me mantêm presa aqui, é sinal de que precisa de mim para alguma coisa.
Cada resposta afiada de Ava deixa Hector visivelmente mais irritado.
Notando que a atmosfera estava se tornando cada vez mais carregada, Charlotte decide intervir.
— Com licença, Ava ainda precisa tomar seu medicamento — diz ela, tentando acalmar os ânimos enquanto se aproxima.
Com gestos cuidadosos, Charlotte abre um pequeno frasco, retira uma cápsula e a entrega para Ava, que a aceita e rapidamente bebe um copo de água para engolir o medicamento.
— Obrigada, Charlotte. — Ava agradece com um sorriso de gratidão, sentindo-se um pouco mais aliviada.
Assim que termina de administrar a medicação, Charlotte se prepara para deixar o quarto, mas Hector a detém com uma ordem firme.
— Me espere no meu escritório agora mesmo — diz ele, usando um tom que não admitia réplica.
Charlotte assente, reconhecendo a seriedade em sua voz, e se retira silenciosamente, preparando-se mentalmente para o que poderia ser uma conversa difícil.
Assim que a enfermeira sai do quarto, Hector se volta para Ava, que o encara com o olhar de desprezo.
— Com você está se sentindo? — ele pergunta, suavizando a voz.
— Como acha que estou sendo mantida em cárcere privado?
— Isso não será para sempre, Ava — explica.
— É... você disse que ficarei aqui até completar alguma coisa — comenta.
— Sim, até eu conseguir o que quero — concorda.
— E eu posso saber o que é?
— Talvez se você recuperasse a memória, saberia o que estou dizendo — ele responde com um sorriso de ironia.
Ava bufa ao ver como Hector está brincando com a sua cara.
Percebendo que ela parece cansada, Hector pausa o riso e comenta:
— Se tiver paciência, sairá daqui mais rápido do que pensa.
Ela analisa as palavras dele e percebe que Hector parece seguro demais sobre o que está fazendo. Isso a irrita muito e, por isso, decide provocá-lo.
— Escuta Hector, quando eu sair daqui, não tem medo de que eu o denuncie?
— Não — responde curtamente.

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