Depois do que aconteceu, Ava não conseguiu mais ficar nem um minuto sozinha, ela era vigiada por Doris e Charlotte o tempo todo, sem nenhuma trégua.
Hector também havia desaparecido do hospital após a conversa que tiveram. Por um lado, ela gostava daquilo, já que não suportava olhar para o rosto dele após saber que ele estava escondendo-a dos pais.
Assim, ela passou três dias no hospital, até que o médico lhe deu alta. A volta para a mansão Moreau aconteceu do mesmo modo como foi a sua entrada. Discreta.
No tempo que esteve ali, não conseguiu ter acesso a ninguém que não fosse Mark, Charlotte ou Doris.
Assim que chega à mansão, Ava é levada para o mesmo quarto onde estava antes.
Suspirando pesado, ela olha ao redor, procurando por uma saída. No entanto, percebe que, por estar no segundo andar da casa, é quase impossível fugir dali.
Enquanto pensa numa solução para fugir daquele quarto, a porta do quarto é aberta e Doris entra, com uma bandeja.
— Trouxe o seu almoço, Ava, espero que goste — diz com a voz paciente.
Ava olha para o rosto de Doris e depois desvia o olhar para a bandeja.
— Pode levar isso de volta, não vou comer nada — dispara.
— Você não pode pular as refeições, o médico disse que é importante você se alimentar bem — insiste Doris, com o olhar preocupado.
— Dane-se o médico! — ela brada. — Dane-se todos!
O rosto de Doris fica vermelho de pavor por ver como Ava está reagindo após ter descoberto algumas verdades.
— Não devia ficar nervosa, estamos apenas cuidando de você — Doris comenta.
— Cuidando para quê? — questiona, indignada. — Todos nessa casa são mentirosos, todos.
Doris abaixa a cabeça, sabendo que naquele ponto Ava tinha razão. Estava envergonhada por mentir para ela, mas fez tudo aquilo por Hector.
— Independente da verdade ou não, saiba que o Hector está cuidando de você — Doris declara.
Sem paciência para ouvir a voz de Doris, Ava levanta, se apoiando na cama.
— Você deve ser a cachorrinha obediente do Hector, não é mesmo? Não importa o quanto ele erre, parece que sempre irá apoiá-lo — comenta com sarcasmo. — O que você ganha com isso, me diz?
Doris fica paralisada, sabendo que jamais responderia aquela pergunta. Sem querer discutir, ela coloca a bandeja ao lado da cama e comenta:
— Quando se acalmar mais, coma um pouco. Daqui a pouco, Charlotte virá administrar a sua mediação.
Assim que deixa a bandeja, Doris sai dali, deixando-a sozinha.
Ava olha para a comida e, apesar de estar com fome, decide que não vai comer nada.
Algumas horas mais tarde, Charlotte entra no quarto com os medicamentos que Ava precisa tomar. Ela nota a bandeja de comida intocada sobre a mesa.
— Boa tarde, Ava — a saúda, tentando soar alegre, mas não recebe resposta. — Vejo que você não tocou na comida. Há algo que não esteja do seu agrado?
Ava mantém seu silêncio, evitando contato visual.
Charlotte, determinada a não se deixar abater pela frieza, avança suavemente pelo quarto e coloca a medicação na mesinha ao lado da cama.
— Sei que pode não estar com apetite, mas é importante que você coma algo para manter suas forças — ela insiste, tentando encorajar Ava a cuidar de si mesma.
— Juro que achei que você era diferente — Ava murmura, sem a olhar nos olhos.
Confusa com o que acaba de ouvir, Charlotte ergue uma sobrancelha.
— O que disse? — questiona.
— Eu me lembrei do dia em que nos vimos pela primeira vez — continua Ava. — Vi o quanto ficou surpresa por me ver. Você não sabia que eu estava aqui, sabia?

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