Ethan não percebe a sua presença de imediato, o que dá tempo para Charlotte observar que, mesmo com o passar dos anos, a sua beleza marcante continuava ali, firme.
Um nó se forma em seu estômago e um aperto toma conta de seu coração. Sempre soube que o havia perdido para sempre, mesmo assim, nunca aceitou.
Quando sai do elevador, Ethan observa o andar onde está e nota o quanto está vazio. De repente, ele vira o rosto e percebe a presença de uma mulher paralisada ali, vestida num uniforme de enfermeira.
— Charlotte? — A voz dele ecoa pelo silencioso corredor.
— Ethan… — ela sussurra.
Com passos lentos, Ethan se aproxima de Charlotte e observa seu uniforme.
— Você trabalha aqui? — ele pergunta.
— Ah… não — responde rapidamente. — Só estou cuidando de uma paciente — explica, meio temerosa.
— Compreendo.
— O que está fazendo aqui? — Decide perguntar, tentando não dar espaço para os sentimentos internos que sente.
— Vim acompanhar a minha esposa — revela. — A Rafa não está nada bem, depois de tudo o que aconteceu — explica.
— Eu soube do que aconteceu — revela. — Como vocês estão?
— Péssimos — ele confessa. — Hoje foram encerradas as buscas pelo corpo da Ava.
— Eu sinto muito — diz, com um aperto no peito por estar mentindo. — Não deve ser nada fácil para você.
— Não, não é... — ele pausa, demonstrando o quanto está abalado. — Eu nunca pensei que teria que enterrar mais um filho. Me sinto tão culpado — confessa. — Eu nem pude me despedir da minha filha.
— Não se dê por vencido, se vocês não encontraram o corpo, significa que ela pode estar viva ainda.
— É muito improvável. A guarda costeira disse que os peixes que existem naquela região podem… — ele pausa, sem conseguir dizer o restante da frase.
Os olhos de Ethan começam a se encher de lágrimas, e, vencido pela emoção, ele caminha até a parede e apoia a cabeça nela, deixando o corpo curvar-se sob o peso de suas memórias.
— Acho que isso é o castigo de Deus pelo que fiz no passado — ele murmura num tom quase inaudível.
Mesmo que ele não diga mais nada, Charlotte sabe muito bem a que ele se referia, afinal, ela também fazia parte daquela história.
— Ethan, não fale assim — ela diz, aproximando-se dele e colocando a mão em seu ombro com gentileza. — Não perca a esperança.
— Quer saber o que realmente dói? — ele pergunta, levantando a cabeça para encará-la com os olhos marejados. — Eu não estava falando com a minha filha — confessa com a voz quebrada. — A Ava estava num relacionamento que eu não aprovava e, por isso, eu disse a ela que, enquanto ela não terminasse com o noivo, não deveria me procurar.
Essa confissão paira no ar, mostrando como o orgulho e palavras ditas na hora errada simplesmente não podem ser desfeitas, e as coisas se tornavam mais pesadas porque quem ouviu aquelas palavras poderia não mais voltar.
— Ethan…
Charlotte tenta falar, mas não consegue. Sua vontade é contar para ele que a sua filha está viva e estava mais perto do que ele pensava. Não queria vê-lo chorar mais uma vez por um filho.
— Ethan, a verdade é que a Ava…
— Mãe!
A voz rude de Mark corta o ar, interrompendo a conversa.
Ele está parado no corredor e encara sua mãe com olhos escancarados de surpresa.
— O que a senhora está fazendo aqui? — ele indaga, demonstrando o quanto está confuso.

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