No corredor do hospital, Doris segura o telefone com firmeza, enquanto conversa com a voz baixa.
— Não se preocupe, Hector, estou de olho nela. Não permitirei que ninguém descubra que ela está aqui — ela assegura com seriedade.
— Você não pode deixar que a Ava saia do quarto, está me ouvindo? — Hector insiste do outro lado da linha, demonstrando pela voz o quanto está desesperado.
— Claro que estou ouvindo. Tenho certeza de que ela não fará isso. O médico deixou bem claro que ela não pode fazer esforço algum — Doris responde, tentando transmitir tranquilidade.
— E como esse médico reagiu quando a viu? — ele pergunta, evidentemente preocupado.
— Ele foi discreto, exatamente como você ordenou. Todo o andar onde Ava está foi isolado, conforme seu pedido. Também desconectei os cabos da televisão no quarto dela — Doris explica cada passo que deu.
— Perfeito. Por favor, Doris, não cometa nenhum erro, está me ouvindo? Quero que a Ava retorne — ele insiste.
— Ela irá retornar, não se preocupe — reafirma com confiança.
— Me mantenha informado do estado dela a cada uma hora — ele pede antes de desligar.
Quando encerra a ligação, Doris levanta os olhos e percebe Charlotte parada. Sua expressão revela que ela pode ter escutado parte da conversa.
— O Hector não virá? — Charlotte pergunta, com uma ponta de preocupação em sua voz.
— Acredito que não — responde, mantendo a voz neutra.
— A Ava perguntou por ele e pareceu bem triste quando soube que ele não veio — comenta, observando a reação de Doris.
— O senhor Moreau é assim, ele não gosta de hospitais — Doris tenta explicar sem entrar em detalhes.
— Por quê? — a curiosidade de Charlotte se aguça.
— É uma longa história, mas eu não posso contar — Doris responde, fechando-se em segredo.
Percebendo que se trata de algo íntimo e possivelmente doloroso, Charlotte não insiste no assunto. No entanto, algo mais a preocupa e ela decide abordar outra questão delicada.
— Doris, me conta uma coisa — ela começa, escolhendo suas palavras com cuidado. — Por que o Hector não conta para a família da Ava que ela está viva?
— Porque ele tem seus motivos — Doris responde simplesmente. — E se eu fosse você, não perguntaria mais nada sobre isso. O Hector te deu um voto de confiança, espero que saiba valorizar.
— E eu valorizo — explica rapidamente, se aproximando mais.
— Então esqueça essas perguntas. — Doris pede. — Tenho certeza de que assim que o Hector conseguir o que ele quer, deixará a Ava retornar para casa, junto da família dela.
— Mas o que o Hector quer? — indaga, sem conseguir conter a curiosidade.

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