Ela ergueu a cabeça, segurando as lágrimas com todas as forças. Não queria deixá-las cair. No final, olhou para Olavo e disse:
— Você não acredita, né? Então vem comigo. Vou te levar até lá. Quero que veja com seus próprios olhos. Assim, você finalmente acredita.
— Isadora, se você estiver mentindo, juro que não vou perdoar nem a você, nem ao Jorge!
Jorge era o último parente que restava para Isadora neste mundo, sua única fraqueza. Olavo sempre fora calculista, sabia exatamente como atingir alguém onde mais doía.
Mas o problema era que ele ainda não percebia que Isadora já não era mais a mesma. Que se dane o tio! Ela não se importava mais. Na verdade, desejava que Jorge morresse logo!
Sem olhar para Olavo nem por um segundo a mais, Isadora o levou para os lugares onde Aline costumava estar.
Primeiro, foram até a escola dela. Depois, ao ateliê de pintura. Visitaram até a doceria favorita de Aline e o parque de diversões que ela mais amava. No final, chegaram ao jardim da casa onde moravam.
Mas não importava aonde fossem, não havia sinal de Aline em lugar nenhum.
Foi a primeira vez que Olavo se aproximou da vida da filha, a primeira vez que entrou no mundo dela. Mas o mais chocante era que ninguém nesses lugares o reconhecia. Ninguém sabia que ele era o pai de Aline.
Na escola, a professora até comentou que Aline era frequentemente alvo de piadas dos colegas porque nunca viam o pai. As crianças riam dela e a deixavam de lado. Ela até criticou Olavo, dizendo que ele era um péssimo pai.
Tudo isso... Ele nunca soube. E nunca tentou saber. Sempre desprezara mulheres manipuladoras. Sempre rejeitara Isadora, que corria atrás dele. E, por tabela, rejeitava a filha também.
Mas hoje, pela primeira vez, sentiu um peso no peito. Uma culpa que nunca imaginou sentir. Ele nunca percebeu quanto havia perdido da vida de Aline.
Sentado num banco do parque, Olavo suspirou, sentindo aquele aperto:
— Isadora, vamos conversar.
Ela permaneceu de pé, olhando para ele com um desprezo que ele nunca tinha visto antes:
— Aline morreu. O que ainda temos para conversar?
A transformação no olhar dela... Olavo sentiu um baque. Antes, aquele olhar o admirava. Agora, só via nojo e desprezo.

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