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Bilionário, Vamos Nos Divorciar romance Capítulo 418

SHARON

A maioria das nossas ações na vida era mais fácil falar do que realizar. Por exemplo, era simples dizer: “Ah, quero comprar um carro novo”, mas seria bem mais difícil trabalhar dia e noite, mantendo o compromisso de poupar o dinheiro necessário desde o começo.

Eu disse que confessaria tudo para o Aiden, mas até agora não consegui fazer nada de útil. O máximo que tive coragem de dizer foi que iria confessar e estabelecer a intenção.

No entanto, o medo... Ah, o medo era algo podre, que já destruiu tantos sonhos e ambições. Ele colocava suas mãos frias sobre minha boca, apertava meu coração, e, às vezes, tornava difícil até mesmo respirar.

Eu não conseguia olhar Aiden nos olhos e contar que tinha compartilhado a mesma cama com ele, rido e feito planos ao lado dele enquanto, ao mesmo tempo, escondia uma barriga de silicone para enganar a todos, inclusive ele.

Aiden era um homem honesto, e essa virtude sempre foi sua marca registrada. Não importava a situação, ele seria sincero com você e esperava o mesmo em troca. Se eu lhe contasse a verdade, ele me odiaria. Eu sabia disso.

Tive inúmeras oportunidades, chances incontáveis, mas escolhi persistir na minha farsa.

Nos últimos dias, outro sentimento que surgiu foi o desespero. Eu estava com medo de perder Aiden, mas também desesperada para não a deixar partir.

Medo e desespero. Eu sabia que era escrava dessas emoções quando peguei meu celular e liguei para “minha aliada”, ignorando qualquer traço de consciência.

— Sra. Aiden? — A voz dela soou alta pelos alto-falantes, desorientada e confusa. Havia um ruído considerável ao fundo.

— Precisamos nos encontrar. — Foi tudo o que consegui dizer. Eu estava envergonhada.

— O quê? O que você disse?! — Ela gritou ao celular. Soltei um gemido e rapidamente afastei o aparelho do ouvido.

— Pode ir para um lugar mais silencioso? — Sibilei. Não estava disposta a começar a gritar para que o mundo inteiro escutasse.

— Certo. — Ouvi murmurar.

Houve mais barulho ao fundo. Então, ela disse:

— Alô, Sra. Aiden. Desculpe por isso.

— Tudo bem. — Murmurei, repensando minha decisão de ligar.

— O que foi? Por que você ligou?

— Vamos nos encontrar. — Reiterei.

Houve uma pausa antes de ela responder:

— Vou mandar um endereço. Nos encontraremos lá.

— Certo. — Murmurei, encerrando a ligação.

O que eu estava fazendo? Olhei para minhas mãos trêmulas e depois para meu reflexo no espelho. Por que eu procurava aliança com alguém que fora cruel o suficiente para sugerir que matássemos crianças?

No entanto, minhas muitas perguntas sem resposta não me impediram de seguir com o plano. Talvez, lá no fundo, eu quisesse isso há algum tempo. Se não quisesse, teria bloqueado seu número e apagado todos os contatos no momento em que saí daquele café.

Comecei a me vestir. Quando terminei, chegou a mensagem com o local onde nos encontraríamos.

Nos encontramos novamente em um lugar estranho. Era um café isolado, quase deserto.

Enquanto me sentava à sua frente, observando seus olhos vermelhos e os lábios caídos, fui direto ao ponto:

— Não estou aqui para falar sobre matar ninguém. Seu plano anterior está fora de questão.

— Contanto que as crianças não sofram…

— Não se preocupe, Sharon. No final, atingiremos nossos objetivos, e as crianças continuarão tão saudáveis quanto sempre estiveram. Você não tem nada com o que se preocupar.

— Certo, então. — Eu mal podia acreditar no que estava fazendo. Se alguém me dissesse, um ou dois anos atrás, que eu me rebaixaria tanto para manter um homem, teria rido na cara dessa pessoa.

Ela sorriu pela primeira vez desde o início do encontro.

— Tudo que preciso é de um suporte de segurança.

— Não tem problema. — Respondi.

E acrescentei, sentindo a necessidade de repetir:

— Nenhum mal deve acontecer às crianças. Nada disso é culpa delas.

— Prometo, Sharon. Nenhum mal acontecerá às crianças.

Antes que ela começasse a detalhar seu plano, perguntei:

— Qual é o seu nome?

Ela sorriu.

— Tabitha.

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