SHARON
Achava que estava ficando maluca. Metade do tempo, eu queria gritar todas as minhas frustrações.
O tempo passava, e a data do meu parto se aproximava rapidamente. Aiden havia marcado essa data no calendário, bem ao lado da nossa cama. Todas as manhãs, era a primeira coisa que eu via ao abrir os olhos, o que só piorava a situação.
Conforme o dia se aproximava, eu ainda não tinha pensado nem agido com rapidez. Precisava pensar antes de agir, mas não conseguia imaginar nada que realmente ajudasse. Cheguei a considerar adotar um recém-nascido. Mas, além de ser algo muito difícil, isso envolveria muitas pessoas, o que tornaria o segredo ainda mais difícil de manter. Eu não podia correr esse risco. E nem começaria a discutir o quão complicado seria encontrar uma criança que tivesse apenas alguns dias ou semanas de vida.
E, quanto mais os dias passavam, maior ficava o meu medo de que ele descobrisse. Eu nem queria imaginar ele me deixando, mas não conseguia evitar.
O fato de que a Ana teve dois filhos para ele tornava tudo ainda pior. Se ele descobrisse que eu perdi a gravidez, não hesitaria em me deixar. Afinal, ele já tinha dois filhos. Por que ficaria com uma mentirosa e uma fraudadora?
Eu tentava me convencer de que Ana era casada e que ele provavelmente não podia ir atrás dela.
De repente, me peguei pensando em contar a verdade para Aiden. Me repreendi, imaginando como teria sido mais fácil se eu tivesse contado a verdade desde o início e como teria a paz de espírito que agora parecia tão inatingível.
Agora, sempre que Aiden abria a boca para falar, meu coração pulava uma batida e o medo embotava todos os meus sentidos até que ele terminasse de falar.
Outro dia, ele perguntou se eu estava bem. Quando afirmei que sim, ele segurou minhas mãos trêmulas e disse:
— Você anda muito agitada esses dias. Tem certeza de que isso não é sintoma de alguma coisa? Será que devemos ir ao médico?
Demorei muito para o convencer de que eu estava apenas com medo do parto por causa das histórias de parto que eu havia lido.
Nesse instante, meu celular tocou. Franzi a testa ao ver um número desconhecido:
— Quem é?
Provavelmente era uma daquelas fofoqueiras para as quais eu tinha dado meu número na festa. Resmunguei e deixei o celular cair.
Assim que a ligação acabou, o celular começou a tocar novamente. Olhei para ele com tanta irritação e percebi que era o mesmo número.
— Pelo amor de Deus! — Resmunguei enquanto deslizei o dedo para a esquerda.
Essa pessoa era implacável e determinada a falar comigo. Quando o celular tocou outra vez, eu o peguei de onde estava e decidi que iria ignorar a chamada; depois, desligaria o aparelho.
Mas algo me impulsionou a atender. Não podia simplesmente desligar o celular por causa de algum canalha, pensei. Talvez alertar quem quer que fosse o(a) interlocutor(a) seria o passo ideal a tomar.
— Alô, Sra. Aiden.
Ouvi uma voz suave e clara, que não soava como nenhuma das fofoqueiras.
— O que você quer? — Respondi, ainda seca.
— Uau, calma. — Ela riu levemente e, em seguida, disse: — Eu sou apenas sua aliada.
Minhas sobrancelhas se franziram, e todas as palavras e frases que eu tinha preparado para a advertir desapareceram.
— E daí? Não deveríamos ficar longe dele, longe da área dele? Na verdade, deveríamos mudar de local! — Ele explodiu. — Olha, não sei vocês, mas eu não quero ir pra cadeia.
— Cala a boca, idiota. — Murmurou Jon, meio bêbado. Ele estava bebendo sem parar desde que contei o que tinha acontecido. — A gente não vai cair na cadeia.
— Eu já disse que ele era notícia ruim. — Disse Ron, calmo, o mais sereno entre nós, como sempre foi. — Eu vi isso chegando. Eu sabia que ele sabia.
Revirei os olhos enquanto desviava o olhar da lista de números que eu havia anotado.
— Ele nem sempre sabia. Nós o enganamos completamente, até o dia em que eu entrei no banho com ele. — Mesmo agora, eu não me arrependia do que havíamos compartilhado; parecia a melhor sessão de beijos da minha vida.
— Eu te disse para ter cuidado. — Comentou Ron, com a voz carregada de preocupação.
Suspirei.
— Eu tive cuidado. Fiquei chocada que ele descobrisse.
Voltei minha atenção para os números. Liguei para cada um e comecei a riscar os atendimentos. Alguns foram atendidos por desconhecidos que não soavam como ela. Finalmente, depois de discar o último número, houve silêncio, e eu soube que era ela.
Dei um joinha para o grupo antes de dizer:
— Alô, Sra. Aiden.

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