DENNIS
Meu dilema era ridículo. Qualquer um que soubesse disso riria na minha cara. Eu vinha evitando minha própria funcionária desde aquele dia infeliz, e essa evasão não começou no ambiente de trabalho; me recusei inclusive a tomar os banhos nos dias marcados e, nos momentos em que a fuga parecia impossível, explodia com ela e a repreendia seriamente por questões insignificantes.
O clima, que antes animava a filial do meu bar, se tornara tenso, pois ninguém ousava atrair a minha ira. Todos andavam como se pisassem em ovos, aguardando o instante em que eu finalmente me retirasse para o fim do dia.
Eu não sabia se fazia tudo aquilo por medo de cair novamente na armadilha dela ou simplesmente por vergonha – talvez ambos. Além disso, a constatação de que meu autocontrole não era tão rígido quanto sempre imaginei foi um verdadeiro tapa na cara.
Enquanto folheava as regras do contrato mais recente que estava prestes a assinar com uma academia, ouvi uma batidinha suave na porta.
— Entre. — Falei distraidamente, pensando que devia ser o gerente, já que o havia chamado para vir assim que eu terminasse.
— Bom dia, senhor.
Minha cabeça se ergueu de repente e todos os meus instintos se ativaram ao ouvir aquela voz.
— O que você quer? — Soltei, exaltado.
Ela me observou por um longo tempo, depois suspirou e jogou as mãos para o alto.
— O que está acontecendo?
— O que você quer dizer com "o que está acontecendo"? Isso não responde à minha pergunta. Por que você está aqui? — Franzi a testa enquanto olhava para o uniforme dela, demasiadamente justo. Agora que pensava nisso, o uniforme dela sempre fora tão apertado e curto e eu vagamente lembrava como ele chamava a atenção dos homens que frequentavam este bar, especialmente à noite. Será que essa era a intenção dela ou ela sempre quis me seduzir?
— Respostas, Dennis. Respostas é o que eu quero, e é por isso que estou aqui. Eu preciso de respostas! — Ela disse com veemência, quase frustrada.
Escarneci da forma como ela se dirigiu a mim.
— Eu ainda sou seu chefe. Você trabalha para mim e eu pago você. Demonstre o respeito que eu mereço.
Ela revirou os olhos.
— Pare de desviar do assunto. Isso não está funcionando. Pare de esconder seus sentimentos de mim.
Quase caí na gargalhada com essa última frase.
— Você disse "sentimentos"? — Comentei entre risadas, jogando a cabeça para trás.
Quando voltei a olhar, fiquei boquiaberto ao ver Tabitha empoleirada na mesa, bem ao lado do meu assento.
— Eu sei que você me deseja. — Ela disse com um sorriso presunçoso.
Assisti, incrédulo, enquanto ela desabotoava os botões superiores da camisa, revelando boa parte da pele ereta de seu peito. Em seguida, abaixou a cabeça e tentou levar os lábios em direção ao meu rosto.
Minha palma coçou, querendo dar um tapa e tirar o desejo dos olhos dela, mas, como não batia em mulheres, a empurrei para longe de mim.
— Quem você pensa que é, Tabitha?
Ela me fitou como se me visse pela primeira vez.
Ela revirou os olhos.
— Você é tão chato — Disse, sorrindo e batendo os cílios enquanto desabotoava outro botão da camisa. — E tão tenso. — Continuou, se aproximando de mim novamente. — Vamos, relaxe um pouco, querido. Me deixe te ajudar a relaxar.
— Saia daqui. — Rosnava eu, com os dedos cerrados na palma, resistindo ao impulso de bater nela.
Ela recuou, surpresa estampada no rosto. Em seguida, sorriu de forma condescendente.
— Ah, entendi. Você quer que eu me ajoelhe, não é? Quer que eu faça uma chupadinha profunda, hein? — Ela arqueou as sobrancelhas, olhando da minha virilha até meu rosto.
Fiquei sem palavras. Como foi que acabei contratando uma mulher dessas como minha funcionária? Me lembrava do dia em que a entrevistei neste mesmo escritório. Ela parecia tão educada; pensei que era perfeita e nem sequer precisava ser entrevistada.
— Saia daqui, Tabitha. E saiba que você acabou de perder seu emprego. Eu nunca mais quero ver você por aqui.
Seus olhos se arregalaram.
— Você não pode fazer isso. — Gaguejou ela. — Você não pode me demitir.
— Sim, eu posso. Agora saia antes que eu chame a polícia.
O peito dela subia e descia enquanto ela me encarava furiosa.
— Você vai se arrepender disso, Dennis! Você acabou de perder sua melhor funcionária! — Ela gritou, saindo em disparada e batendo a porta com força atrás de si.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Bilionário, Vamos Nos Divorciar