DENNIS
Forcei-me a dirigir até a igreja de Tabitha, mesmo sabendo que teria de frequentar o lugar mais vezes do que desejava, pois estava ficando cada vez mais difícil manter aquilo longe de Ana. Na maioria dos dias, morria de vontade de contar a ela o que eu estava fazendo, mas não queria levantar suas esperanças caso tudo aquilo se revelasse apenas uma perda de tempo.
Eu tinha perguntado quando chegaríamos à parte principal, e bastou isso para que encerrassem as palestras e me apresentassem o verdadeiro trabalho.
Desde então, minhas visitas passaram a consistir em um banho após o outro com água fedorenta. Da última vez, a água estava verde e, quando perguntei o motivo, um deles listou a longa relação de ervas que haviam colocado nela. Tive que prender a respiração na maior parte do tempo e apertar os lábios com tanta força para não engasgar com o mau cheiro ou, por engano, engolir aquilo que diabos fosse.
Suspirei enquanto estacionei o carro em frente à igreja e só esperava que hoje fosse melhor, ou, melhor ainda, que não houvesse banho, porque se me pedissem para tomar banho com outra água colorida, seria a gota d'água e eu perderia completamente o controle; que fiquem com os malditos milagres para si mesmos.
— Bem-vindo, senhor.
Como de costume, Tabitha me cumprimentou e me acompanhou até o cômodo onde eu tomaria aqueles banhos malditos e, em seguida, desapareceria. Mas hoje, ao entrarmos no ambiente, ela não se retirou, e algo que destoava do local era uma espécie de tanque instalado no meio da sala.
— Bem-vindo, amigo.
Era assim que os homens, às vezes, me chamavam; eu já tinha percebido que Tabitha parecia ser a única mulher entre eles.
Eu assenti.
Um deles caminhou até o tanque e declarou:
— Durante todo esse tempo, temos limpado e purificado, corpo e alma. Hoje é a limpeza sagrada.
Essas purificações nunca tinham fim, não é mesmo?
— A água para o banho de hoje foi infundida com ervas que o acalmam. — Começou a explicar, pois eu sempre perguntava o que havia na água antes de a usar. — E ela vai dissipar todas as suas frustrações e emoções perturbadoras.
Sinceramente, eu não conseguia compreender o quão estranho era o jeito de falar de todos aqui, exceto Tabitha; o que ele quis dizer com “emoções perturbadoras”?
— Então, o que é isso?
Observei atentamente o grande tanque.
— É sinônimo de um tanque, Sr. Dennis.
— Sim, entendi essa parte, mas por que a água está ali? Por que ela não fica no banheiro?
Meu olhar deslizou até a porta do banheiro, no fundo da sala, enquanto eu questionava.
Me endireitei ao ouvir a localização do meu bar que eles escolheram, lembrando que essa conversa ocorrera há vários meses, se não até um ano atrás.
— Tudo bem. — Disse eu devagar.
— Também incluímos acordos de patrocínio de marca, programas de associação de alto nível e os contratos de realização de eventos dos quais conversamos.
Meus olhos se arregalaram, e quase saí da estrada de tanto entusiasmo; rapidamente, estacionei o carro.
— Quando começamos?
— Imediatamente, Sr. Dennis. Gostaríamos de começar a trabalhar de imediato e esperamos o ter conosco já amanhã. Em seguida, discutiremos os detalhes, assinaremos o contrato e os demais documentos necessários, após o que metade do pagamento será enviado para você.
Quando a ligação terminou, eu estava radiante.
Que absurdo! Esse era um contrato pelo qual eu vinha lutando há meses, muito antes do investimento fraudulento, e agora, num piscar de olhos, eu o consegui. Foi como um milagre. Ou talvez fosse mesmo.
Pensei em todo o estresse que tive de enfrentar na igreja, nas palestras intermináveis, e lembrei do olhar de confiança estampado em seus rostos, mesmo quando eu não conseguia esconder minhas risadinhas e zombarias.
Meu olhar recaiu sobre o telefone, e eu sorri, imaginando que aquilo poderia funcionar melhor do que eu jamais havia imaginado.

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