DENNIS
Quando cheguei à porta, uma pergunta que eu queria fazer de repente me ocorreu. Me virei para trás e a encontrei com seu olhar ainda fixo em mim.
— O que foi? — Ela sorriu.
Foi tão bom ver seu sorriso, sem aquele olhar de desprezo que ela vinha me lançando nos últimos dias.
— Tenho uma pergunta. — Disse eu, caminhando lentamente de volta até ela.
— Então, o que você quer perguntar?
— Da última vez, quando eu estava te falando sobre as propriedades que vendi, você disse que viu os documentos das vendas na minha gaveta?
— Sim, eu disse isso.
— Como assim? — Franzi a testa.
— Ah, sim. Eu estava no seu bar. — Ela deu de ombros. — Esperei um bom tempo, mas você não voltou, então eu simplesmente fui embora.
— Ah. — Lembrei do momento em que o gerente tentou me contar algo quando voltei naquele dia. Provavelmente era aquilo que ele estava tentando me dizer.
— Eu não sabia. — Eu queria acrescentar que ela poderia ter me ligado, mas então me lembrei de que não estava atendendo as ligações. — O gerente tentou me falar, mas eu estava tão irritado que o mandei embora.
Ela sorriu.
— Tudo bem. Agora eu entendo.
Suspirei novamente, me xingando pela minha burrice.
Dê um passo à frente e a abracei novamente.
— Obrigado por ficar comigo, mesmo eu sendo um idiota.
— Tudo bom.
Eu me afastei e a olhei surpreso.
— Então você concorda que sou um idiota?
Ela explodiu em uma risada contagiante.
Andei pelo hospital por um tempo, me perguntando onde diabos Aiden tinha levado Amie.
Finalmente, parei abruptamente quando os vi no playground dentro do hospital.
Amie estava rindo tanto enquanto estava sentada no pescoço de Aiden.
Sorri ao ver ela tão feliz. Ela parecia cheia de energia, embora na verdade parecesse já não ter muita vitalidade.
— Amie! — Eu a chamei e caminhei em direção a eles. — Amie.
Imediatamente, Amie se virou. Seus olhos brilharam ainda mais antes de gritar:
— Papai!
Devagar, Aiden se virou para me encarar. Então Amie deu uma tapinha na cabeça de Aiden e disse algo para ele. E logo ela estava se movendo como se fosse pular do corpo dele caso ele não a colocasse no chão a tempo.
Assim que Aiden a colocou no chão, ela correu em minha direção.
— Papai.
Eu a encontrei no meio do caminho e a peguei nos braços.
— Oh, minha filha. — Beijei sua testa, e ela deu uma risadinha, envolvendo seus braços em torno de mim em um abraço. — Foram só algumas horas, mas eu senti tanto a sua falta.
— Eu também senti sua falta. O tio Aiden é muito divertido, posso ficar com ele de novo na próxima vez?
Ao ouvir a pergunta, levantei a cabeça e encontrei o olhar de Aiden. Os lábios de Aiden estavam esticados em um sorriso educado e forçado, mas tudo em seu corpo contradizia aquele sorriso, desde os punhos cerrados até a mandíbula tensa.
— Claro. — Eu disse para Amie. — Sempre que você tiver tempo, pode.
— Ótimo! — Ela levantou as mãos para o ar e me abraçou de novo, quase me sufocando com o aperto no pescoço. — Obrigada, papai, você é o melhor.
Então ela se virou para Aiden.
— Você consegue adivinhar o que aconteceu?
Aiden colocou os punhos cerrados nos bolsos. Seu sorriso se alargou enquanto olhava para ela, mas naquele momento parecia menos forçado.
— O que foi, princesa?
Finalmente, ela parou de falar sobre os jogos que eles tinham jogado e anunciou animada:
— Ele disse que vai me comprar uma casa de brinquedo bem grande quando eu sair do hospital.
— Sério? — Eu me virei para ela.
Ela acenou com a cabeça, com um grande sorriso no rosto.
— Ele disse que seria tão grande que eu conseguiria entrar dentro.
— Uau, isso é muito legal. — Eu tinha certeza de que não soava tão animado quanto ela.
— Muito, muito legal. Ele tem muito dinheiro.
Eu franzi a testa e me virei para ela rapidamente, surpreso que ela mencionou aquilo.
— Papai também tem muito dinheiro. — Me peguei dizendo. — Então, o que você quer que o papai te compre quando sair do hospital?
Ela apoiou o dedo indicador no queixo e inclinou a cabeça para o lado, com as sobrancelhas ligeiramente franzidas.
— Deixa eu pensar...
De repente, ela bateu as mãos.
— Eu sei, eu sei. Uma girafa! Eu quero uma girafa.
Eu pisquei para a estrada à minha frente.
— Uma... Uma girafa?
Ela assentiu animada.
— Sim. Nós duas vamos ficar na minha casa de brinquedo e nos divertir muito com meu irmão.
— Qual o tamanho você quer que a sua girafa seja?
Ela balançou a cabeça firmemente.
— Não, papai, eu não estou falando de brinquedo... Estou falando de uma girafa de verdade. Eu quero uma girafa de verdade.

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