ANASTASIA
Apesar da expressão séria que eu estava tentando manter, Clara gritou baixinho ao entrar no quarto.
— Meu Deus, Ana. Eu estou tão feliz que você está bem. Graças a Deus.
Apertei os lábios para não revirar os olhos.
— Obrigada.
— Não é nada, amiga. — Ela parou ao lado da cama. — Eu faria isso várias vezes, se fosse preciso. — Ela deu uma risada baixa e acrescentou. — Não que eu queira que você se machuque. Só quero que você saiba que vou estar aqui para ajudar, sempre que precisar.
Aquela era minha amiga. A Clara que eu achava que conhecia. A que eu estava tão convencida de que tinha meu melhor interesse no coração e que seria minha amiga para sempre. Aquela pessoa com quem eu estava pronta para envelhecer ao lado, mas eu sabia que era melhor não.
Eu sabia que não poderia deixar as palavras dela nublarem meu raciocínio, então fui direta ao ponto de ter chamado ela.
— Obrigada por salvar a mim e ao meu bebê. — Eu disse, de forma rígida. Eu estava grata, de verdade. Tentei ser mais gentil, mas não estava funcionando. Pelo menos, já que eu falei, ela sabia que eu estava agradecida. Aquilo já era o suficiente.
— Ah, Ana, não é nada. Eu já te falei. Você teria feito o mesmo.
Será? Bem, eu não era uma bruxa. Talvez sim.
Eu acenei com a cabeça.
— Bom, eu só queria agradecer. Foi por isso que te chamei. Nada mais.
Ela se endireitou e acenou com a cabeça, esfregando a palma da mão nas calças jeans.
— Tudo bem. — Ela limpou a garganta. — Está tudo certo. De nada.
Então, ela acrescentou depois de um silêncio constrangedor:
— Ah, e eu realmente estou feliz por vocês dois. Fico feliz que finalmente tenham ficado juntos.
— Obrigada.
Eu estava prestes a mostrar a porta para ela quando a pergunta surgiu na minha cabeça. Eu me virei para ela e perguntei:
— Como é que você estava na minha casa? O que você estava fazendo lá?
Ao fazer a pergunta, eu não pude evitar ficar desconfiada. O que a trouxe até a minha casa?
— Ah, sim... Isso... Eu... Encontrei algumas das suas coisas na minha casa enquanto estava arrumando. — Ela deu de ombros, com um pequeno sorriso, quase triste, nos lábios. — Achei que seria certo devolver.
— Tudo bem. — Eu disse a ela, embora soubesse que a última coisa que eu faria seria usar qualquer coisa que viesse dela, fosse ou não algo que já foi meu.
— Aquelas coisas estão no meu carro, se você quiser, posso deixá-las com você enquanto eu vou embora.
Eu balancei a cabeça e disse:
— Não precisa.
— Tá bom. — Ela disse com calma.
Houve um silêncio novamente. Um silêncio mais longo. E eu não consegui dizer a ela para ir embora, embora eu quisesse mais do que tudo que ela voltasse para onde quer que tivesse saído.
Depois que ela saiu, eu me deitei na cama e me virei de lado. Não consegui mais dormir. Minha cabeça estava cheia de pensamentos sobre Dennis e Clara. Como Dennis tinha ignorado minhas ligações e nem se deu ao trabalho de tentar ver se eu estava bem ou não. Pela primeira vez, pensei: será que ele realmente se importa comigo como diz?
E lá estava Clara. A amiga que eu sempre pensei que seria meu refúgio seguro para sempre. A única pessoa em quem eu acreditava fortemente que ficaria ao meu lado, independentemente de quem fosse ou saísse. Eu sempre tive tanta certeza de que Clara estaria sempre lá por mim. Mas, no final, ela foi a causa de toda a minha dor desde o começo.
Suspirei e balancei a cabeça. Já não sabia mais qual era o meu lugar na vida de Dennis. Ele parecia sincero ao se desculpar. Mas ações falavam mais alto do que palavras, não era mesmo?
Suspirei novamente. Eu precisava tirar aqueles pensamentos da cabeça e descansar bem. Não sabia o que o futuro reservava para mim e meus filhos, mas, acontecesse o que acontecesse, eu sempre precisaria estar pronta.
Com aquele pensamento, adormeci em um sono sem sonhos.
***
Estava tão convencida de que tinha dormido por dias. Me senti tão descansada e tranquila, mas o médico insistiu que eu havia dormido apenas algumas horas até o dia seguinte.
Enquanto me preparava para ver meu bebê na UTI neonatal, as preocupações voltaram e eu me virei para o médico.
— Você está falando a verdade? Meu bebê realmente está bem? Quero dizer, eu o tive prematuramente... — Comecei a falar sem parar, mas o médico me interrompeu com um sorriso suave.
— Eu entendo suas preocupações, Sra. Dennis. Mas o seu filho é um dos sortudos. Ele mal parece que nasceu antes do seu mês previsto. Ele está bem.
Sorri, um pouco aliviada. O verdadeiro alívio viria quando eu colocasse meus olhos nele.
— Obrigada, doutor.
Com o coração cheio de esperança e alegria, deixei seu consultório e fui para a UTI neonatal, ansiosa para ver a linda nova adição à minha vida.

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