AIDEN
Eu esfreguei a toalha nos meus cabelos molhados enquanto puxava a porta do banheiro para trás de mim.
Meu olhar se fixou em Sharon enquanto eu me dirigia para o closet. Ela estava dormindo. Estava com o laptop no colo e deitada de maneira desconfortável na cama. Como estava sentada enquanto trabalhava, ainda estava na mesma posição, mas com a cabeça caída para o lado, as mãos caídas sobre o laptop.
Fiquei incomodado por dentro. Se ela dormisse por muito tempo naquela posição, com certeza acordaria com uma dor no pescoço.
Cortando minha jornada até o closet, fui até o lado da cama onde ela estava para ajudar ela a se deitar de forma confortável.
Quando tirei o laptop de seu colo, algo brilhou perto dos pés dela, na cama.
Era meu celular. A barra de notificações apareceu e eu vi que uma mensagem tinha acabado de chegar. Eu ia ignorá-la, era só uma mensagem aleatória de prestadoras de serviço, mas meu olhar imediatamente se fixou nas ligações perdidas que eu tinha.
Mais de dez? Franzi a testa profundamente.
Me distrai e coloquei o notebook de Sharon de volta sobre suas pernas, ou pelo menos onde eu achava que ele estava, e peguei meu celular.
Desbloqueei o aparelho para ver de quem eram as chamadas perdidas. Meu coração disparou assim que vi de quem eram as ligações.
Minha expressão se fechou em preocupação e, imediatamente, liguei de volta. Na primeira vez, ela não atendeu.
Oh Deus. O que poderia ter acontecido? Ela raramente me ligou. Só ligava quando era algo importante. Isso devia ser sério.
Comecei a caminhar em direção ao closet, passando os dedos pelos cabelos. Enquanto me vestia, liguei novamente para o número dela, mas o celular continuou tocando sem ninguém atender.
Não conseguia afastar a sensação de que algo estava errado, então continuei ligando para o número dela, rezando para que ela atendesse.
Quando ela não atendeu, fiquei convencido de que algo realmente havia acontecido.
Eu continuei a ligar para ela, uma vez após a outra. Quando terminei, comecei a andar de um lado para o outro pela sala, com as mãos apoiadas na cintura.
— O que será que aconteceu? — Murmurei, enquanto discava novamente o número dela.
De repente, uma ideia me veio à cabeça. Parei de andar. “Será que eu chamo o Dennis?”, pensei comigo mesmo. Não tinha certeza se tinha o contato dele, mas poderia conseguir de algum jeito. Eu poderia simplesmente pedir para o meu assistente pegar para mim.
Meus dedos se moveram rapidamente enquanto eu procurava na lista de contatos, mas, no último segundo, decidi não fazer aquilo.
E se ela não quiser que o Dennis saiba? Ela já tinha dito que não queria nada que fizesse as pessoas pensarem o contrário.
E se eu ligasse para o Dennis e ele ficasse furioso por ela ter me ligado?
Além disso, se fosse algo que ela quisesse contar ao Dennis, não teria precisado tentar me ligar tantas vezes.
Disquei o número dela uma última vez e, então, decidi que o melhor seria ir até ela. Guardei o celular no bolso, peguei as chaves do carro e fui em direção à porta.
Não sabia onde ela estaria, mas estava disposto a dirigir por todos os lugares que eu achava que ela poderia estar até encontrar ela e ter certeza de que ela estava bem.
Justo quando minha mão estava fechando na maçaneta da porta, ouvi:
— Aiden?
Merda.
Me virei para encarar ela.
— Oi, amor, você está acordada.
Ela esfregou os olhos com o dorso da mão. O olhar dela caiu sobre as chaves na minha mão e depois na porta. Ela levantou o olhar para mim.
— É algo muito importante, Sharon.
— Mais importante do que eu? Mais importante do que o nosso bebê? — Ela guardou o laptop e se deitou na cama, se encolhendo em torno de si mesma.
— Claro que não. — Minha mão caiu do puxador da porta. — Não vou demorar. Eu volto rapidinho. Prometo. Até posso pegar uns remédios na volta.
Ela balançou a cabeça.
— Não quero remédios. Eu preciso descansar e de alguém ao meu lado.
Eu fiquei na porta, apertando e soltando minhas mãos. Eu poderia simplesmente sair. Não era como se ela pudesse me impedir.
Mas ela era minha esposa. A Ana era esposa de outro homem. Ela provavelmente não estava atendendo porque o Dennis estava com ela. Eu também deveria ficar com a minha esposa.
— Aiden... — Ela soltou um gemido dolorido, e aquilo foi o sinal para eu correr até ela, convencido de que ela não estava fazendo cena só para eu ficar com ela.
— Está tudo bem. Tudo bem. Eu estou aqui agora. — Falei suavemente enquanto acariciava a barriga dela. — Desculpa. Você quer que eu chame o médico?
Ela balançou a cabeça e soltou um pequeno:
— Não precisa.
Ela me olhou, os olhos brilhando com lágrimas, os lábios tremendo, as mãos apertando as laterais da minha camisa.
— Fique comigo, Aiden. Não vai embora.
Eu a envolvi nos meus braços e dei um beijo no topo da sua cabeça.
— Tá bom.

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