Uma hora depois que Richie saiu, eu também estava arrumando minhas coisas para ir embora.
Meu telefone tocou de novo na mesa.
— Onde você está, garota?
— Estou a caminho, senhora. Logo estarei aí. Anda, calma.
Arqueei uma sobrancelha, um sorriso surgindo em meus lábios. Desde que ela me ligou para ir até a vila que dividíamos, uma hora atrás, Grace não parava de me ligar, repetidas vezes, para me lembrar de ir direto para lá depois do trabalho. Ela parecia empolgada. E agora, sua voz praticamente tremia de excitação.
— Você ainda não vai me contar o motivo, né?
Segurei o telefone entre o ombro e o pescoço enquanto trancava minhas gavetas.
— Não. — Pude ouvir o sorriso em sua voz.
Murmurei, intrigada. — Vamos lá, Grace. Dá só uma pista. Estou morrendo de curiosidade aqui. — Peguei a caixinha de joias da mesa, coloquei na bolsa e a joguei no ombro.
— Se você vai morrer, é melhor chegar aqui primeiro.
Ri alto com suas palavras. — Tudo bem, logo estarei aí. — Tranquei a porta principal e comecei a caminhar até o ponto onde pegaria um táxi. — Estou prestes a pegar um táxi agora.
— Beleza. Estarei esperando.
Acenei para um táxi e informei ao motorista meu destino.
Desde a última vez que estive na vila quando fui atacada por Luigi, surpreendentemente, não senti nenhuma hesitação em voltar lá ou até mesmo em ficar. Talvez fosse porque agora sentia que o conhecia de maneira mais… pessoal?
Minha mente vagou até o cartão dele, que estava guardado com segurança na minha bolsa. Talvez eu devesse ligar para ele. Será que ele se lembrava de que era eu quem ele tinha atacado? Pelo menos, eu merecia uma explicação sobre o porquê de ele estar no meu apartamento e por que havia apontado uma arma para mim.

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