Só que o Sr. Kairós ainda não tinha percebido nada.
Ele não dava tanto valor ao filho mais velho, então subestimava demais o papel de Orfeu.
Mas logo, a limitação do Sr. Kairós ficaria evidente.
A família Drummond não era de brincar em serviço. Enquanto Jennie fazia suas jogadas, eles também estavam preparando as próprias.
O que Jennie conseguia acessar era apenas o apoio da Cidade Vida ao lado da Família Kairós.
Onde ela não conseguia chegar, a Família Drummond estava aos poucos tomando espaço.
Agora, a situação já estava claramente pendendo para o lado dos Drummond.
O apoio deles à Família Kairós estava por um fio.
Mas ainda restava uma última crise: aquele prédio tecnológico.
Manuel tinha descoberto pra ela que, no prédio, ainda eram todos homens de Orfeu que comandavam.
"Eles não desistiram," disse Manuel. "A senhora tem que ficar atenta, não pode baixar a guarda."
Jennie assentiu com a cabeça e respondeu: "Pode ficar tranquilo, estou sempre ligada nisso. E já consegui arrancar do próprio Orfeu o que ele realmente está tramando."
Manuel se animou.
"Então a senhora já pode evitar o perigo?"
Jennie balançou a cabeça.
"Evitar? Por que evitar? Agora que sabemos o plano deles, quem está com a vantagem somos nós. Se alguém tem que evitar alguma coisa, são eles, não a gente."
"E o que a senhora pretende fazer?"
"Fazer com que eles caiam na própria armadilha."
A morte de Orfeu não abalaria o Sr. Kairós, porque ele sequer ligava para esse filho. Na verdade, até sentia um certo desgosto, já que o garoto lembrava demais a ex-mulher.
O que ele realmente prezava, o que amava, era o filho mais novo.
"Lisandro não foi embora, então isso significa que ele também está envolvido no plano do prédio tecnológico. Ótimo, podemos usar isso e pegar todo mundo de uma vez."
Lisandro era um verdadeiro demônio.
Ele tinha causado a morte da namorada do Valentino.
Agora, finalmente era hora de ele pagar pelo que fez.
"Só que…" Jennie deu um sorriso meio resignado. "Com tanto sangue nas minhas mãos, acho que meu destino é o inferno mesmo."
"Medo de quê?" respondeu Manuel. "Se você for pro inferno, a gente vai junto com você."
Os olhos de Jennie se encheram de lágrimas de repente.
Ela tinha sofrido muito na infância, depois de ser sequestrada.
Mas foi justamente por causa dessa experiência que ela conseguiu o que talvez nunca teria conseguido, inclusive grandes amigos.
...
À noite, Jennie voltou pra casa e deu de cara com Saulo, que chegava do trabalho.
Nesses meses de serviço, Saulo tinha amadurecido bastante.
Talvez fosse culpa daquela barba por fazer no queixo, que dava um ar mais maduro de homem.
"Por que está com essa cara de cansado? Problemas no design?"
Jennie também tinha sido convidada.
Bryan, responsável pela apresentação, estava nos bastidores, ocupado até o início do evento.
Jennie não quis incomodar, então ficou na plateia conversando com Saulo.
"Mostra pra mim o carro pronto."
Antes, ela só tinha visto o rascunho do projeto.
Mas Saulo fez mistério.
"Em alguns minutos começa, logo você vai ver!"
"Nem pra mim quer mostrar?"
"É pra te surpreender!"
Enquanto os dois brincavam, uma voz fria soou de repente—
"Você é a Jennie, né?"
Jennie olhou e viu uma mulher linda, de cabelo curtinho, usando um vestido branco, analisando-a de cima a baixo.
Jennie já sabia quem era, mas fingiu naturalidade: "Sou sim, e você é?"
"Me chamo Violeta, mas pode me chamar de Yolanda. Sou amiga do Bryan, prazer em te conhecer."
A mulher estendeu a mão.
Era uma mão branca e macia, com a pele impecável, unhas pintadas de vermelho vivo, bem afiadas, que chegavam a dar um certo desconforto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....