Quando estavam prestes a descer do ônibus, Jennie lembrou do Hotel Primavera.
"Amanhã eu mesma vou lá."
Bryan respondeu imediatamente: "Eu vou com você."
"Nem pensar." Jennie retrucou: "Você chama muita atenção. Se você aparecer, o pessoal do Clube de Artes Marciais vai sair correndo na hora."
"E você, então? Você chama ainda mais atenção do que eu."
Jennie apontou para o próprio rosto.
"Não esquece que eu sou mestre em maquiagem disfarçada."
"...Então faz um disfarce pra mim também."
"Não vai dar tempo. Só espera minhas boas notícias."
Bryan não teve escolha a não ser desistir.
Mas disse: "Eu vou ficar numa rua próxima. Qualquer coisa que você precisar, é só me chamar."
Dessa vez Jennie não recusou, apenas assentiu e disse "beleza".
Bryan perguntou sobre o plano detalhado, e Jennie explicou tudo para ele, passo a passo.
Quando Bryan terminou de ouvir, olhou para ela com um brilho ainda maior nos olhos.
"Jennie, você é um presente dos céus pra mim. Só posso ter feito muita coisa boa na outra vida pra você aparecer na minha."
"...Com esse papo, tem certeza que nunca namorou antes?"
"Que papo? Eu só falo a verdade do fundo do coração."
"Essa frase aí já é bem enrolada."
"Acusar é fácil, difícil é provar!" Bryan brincou, depois ficou sério: "Fora você, nunca parei pra pensar em mais ninguém."
"E homem? Tipo o Mauro..."
Bryan parou o carro na hora, segurou o ombro dela e lhe deu um beijo daqueles.
Jennie ficou sem coragem de brincar de novo.
Ela tinha mesmo medo desse truque dele.
O beijo fazia a pessoa se sentir nas nuvens, totalmente fora de controle.
...
O dia seguinte chegou rápido.
Nos celulares da galera de Cidade Vida, apareceu uma notícia local da Eloisa.
Uma rua chamada Travessa Sul recebeu obras para instalar tubulação de gás natural, mas por erro dos operários, um cano de água acabou estourando.
Quando o cano rompeu, a água jorrou e invadiu várias lojinhas por perto.
O lugar mais afetado? Hotel Primavera, claro.
O saguão do hotel ficou alagado, e o pessoal do hotel teve que indenizar os hóspedes, pedindo pra eles não descerem por enquanto.
Quando Orfeu e companhia ficaram sabendo, o saguão estava praticamente intransitável.
"Senhor, desculpe, o saguão lá embaixo está alagado. Vai levar umas duas horas pra resolver. Por favor, fique no quarto e não circule pelo hotel nesse tempo."
Orfeu tinha vindo pra conversar com o pessoal do Clube de Artes Marciais sobre o Mauro.
Na Família Zamith, o Mauro era o único contato deles.
Agora sem ele, precisavam achar outra brecha pra se reaproximar da Família Zamith.
O funcionário levou um baita susto e olhou pra dentro.
Mas a porta só estava entreaberta, e Orfeu bloqueava a passagem, então ele não viu nada.
Só perguntou: "Tem mais alguém aí? Precisa de ajuda?"
"Não, só estou eu. Deve ter caído alguma coisa."
"Ok, qualquer necessidade é só ligar pra recepção."
"Certo."
Orfeu ficou olhando o funcionário se afastar, só então fechou a porta.
Virou-se pro banheiro com a cara fechada.
Sabendo que iam bater à porta, ainda assim alguém faz barulho?!
Um bando de idiotas!
Ainda bem que era só um funcionário normal.
Orfeu entrou no banheiro com a cara fechada.
Lá dentro, estavam sete caras enormes e um velhinho de cabelo branco, mas ainda ágil como um garoto.
Esse senhor era o antigo líder do Clube de Artes Marciais.
O filho dele era o novo líder, mas já tinha sido preso, sem esperança de sair tão cedo.
Só se a Família Kairós conseguisse vencer no fim das contas. Aí, eles podiam dar um jeitinho pro filho dele.
Por isso, agora o Clube de Artes Marciais obedecia ainda mais à Família Kairós do que antes.
"O que aconteceu agora?" perguntou o Velho Líder.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....