Ele olhou para Jennie quase com tristeza, como se tivesse mil palavras entaladas na garganta.
Jennie, ao encarar aquele olhar, só sentiu repulsa.
"Não me olhe desse jeito, isso só me faz pensar que meu gosto realmente é péssimo!"
A expressão de Lucas congelou.
Jennie continuou: "Você tentou prejudicar meus amigos duas vezes, afinal, o que você quer?"
Mesmo estando de mau humor, ela não esqueceu o objetivo daquela visita.
Lucas conteve as emoções e apontou para o sofá em frente.
"Senta. Vamos conversar sentados."
Como Jennie continuava em pé, ele disse: "Eu ter usado seus amigos para te obrigar a vir aqui foi errado, admito. Mas só preciso de cinco minutos do seu tempo. Eu te falei isso ainda na porta, você não quis, então tive que apelar."
"Então, segundo você, a culpa é minha agora?"
"Não é isso que eu quis dizer..." Ele respirou fundo, quase suplicante: "Jennie, só preciso de cinco minutos, por favor, como um favor pra mim."
"…"
Jennie teve muita vontade de dar um tapa nele e ir embora.
Mas lembrou do que Marcos lhe dissera sobre términos: são cinco fases "tristeza, raiva, negociação, desespero e aceitação.
Ela já tinha passado pela tristeza, raiva e desespero, mas pulou a etapa da "negociação", por isso era tão difícil aceitar de verdade.
Entre ela e Lucas, nunca houve uma despedida de verdade. Para superar o trauma, talvez precisasse mesmo conversar abertamente com ele.
Se falasse tudo, talvez o nó em seu coração se desfizesse.
Assim, Jennie hesitou por dois segundos, mas acabou sentando.
Lucas, vendo que ela colaborou, finalmente esboçou um sorriso.
Ele serviu uma xícara de café quente para ela.
Jennie não tocou.
"O tempo é curto, seja direto", disse ela.
Lucas engasgou um pouco, mas finalmente começou a falar sobre o que guardava há um ano.
"Eu não te traí de propósito..."
Jennie nem levantou uma sobrancelha.
Lucas, vendo que ela continuava impassível, sentiu o coração apertar de novo, dessa vez mais forte.
Temia que nem mesmo aquilo que tinha a dizer poderia tocá-la.
"Se importa se eu fumar um cigarro?" ele perguntou.
Jennie ficou visivelmente incomodada, mas assentiu.
"Ela detestava cheiro de cigarro.
Depois que Bryan soube disso, nunca fumou na frente dela.
Mesmo quando não aguentava, dava um jeito de sair de perto.
Sem querer, Jennie comparou os dois.
E percebeu: Bryan a respeitava mais.
Pelo menos, ele nunca a obrigou a nada, nem a fez sofrer.
Lucas deu uma tragada antes de começar a contar o passado.
Jennie já não olhava para ele com tanto ódio, mas também sem emoção.
"Lucas, agora eu entendi, e te perdoo.
Mas o tempo passou, a gente não volta mais. Agora você tem uma esposa, e ela realmente te ajudou e te ama.
Da mesma forma, eu tenho o Bryan, e ele também me ama muito.
Você devia fazer como eu: deixar o passado pra trás e viver o presente. Com a Família Fonseca ao seu lado, seu futuro é brilhante."
Lucas ficou olhando fixamente para ela, como se não aceitasse.
"Você ama mesmo ele?"
"Amo", Jennie assentiu, "mais do que imaginei que seria capaz."
"...Mas eu não consigo te esquecer. Não devíamos ter nos separado. Se não fosse tudo aquilo, estaríamos juntos até hoje."
"Eu sei. Faltou um pouco de sorte entre nós."
"E se eu insistir?"
Jennie olhou fundo nele e disse: "Se você fizer isso, então, vai faltar mais que sorte entre nós dois. Não me faça me arrepender de ter te conhecido."
E ainda disse: "A Irena é uma ótima pessoa, você devia abrir o coração pra ela."
Lucas sorriu.
"Até hoje, nunca tive nada com ela."
Jennie franziu a testa.
"Isso não é justo com ela."
"Não é justo é comigo!"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....