A noite em Paris era profunda.
Um Bentley preto rodava suavemente pela estrada arborizada nos arredores da cidade. A luz dentro do carro era fraca, e apenas o painel emitia um brilho frio.
Larissa estava encostada no banco, olhando para as sombras dos plátanos passando rapidamente pela janela, sem dizer uma palavra.
No banco do motorista, Verônica Soares tirou os óculos escuros e olhou para ela pelo espelho retrovisor.
— Viu sua irmã? — ela perguntou.
Larissa desviou o olhar e um sorriso de zombaria apareceu no canto dos lábios dela.
— Vi.
— E como foi?
Larissa soltou uma risada cheia de sarcasmo.
— O golpe que minha irmã levou hoje não foi pequeno.
Verônica ergueu uma sobrancelha.
— Ah?
Larissa se encostou no banco, com um tom que carregava uma emoção complexa e indescritível.
— Eu costumava achar que, para ela conseguir se estabelecer lá fora e garantir um lugar na Ópera de Paris, ela deveria ter alguma habilidade. — Ela fez uma pausa. — E o resultado? Hoje ela foi completamente destruída pela Tereza Viana.
Verônica ficou em silêncio por um segundo.
— Neta do Charles — ela disse —, realmente inesperado.
Larissa não disse nada.
Verônica olhou para ela, com um olhar de escrutínio.
— Mas não tem problema — ela disse —, nós não teremos contato com ela.
Larissa continuou em silêncio.
O olhar de Verônica se aprofundou.
— Você não vai... — ela começou a perguntar.
Larissa virou a cabeça, olhou para ela e sorriu.
O sorriso era leve, mas fez o coração de Verônica apertar.
— Está com medo de que eu vá arrumar problemas para a Tereza? — Larissa perguntou.
Verônica não respondeu, mas sua expressão já dizia tudo.
Larissa desviou o olhar e olhou pela janela.
— O que eu mais odeio agora — ela disse, com a voz muito leve e suave —, é a minha querida irmã.

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