Os olhos de Beatriz se estreitaram.
Ela estava prestes a falar, mas a mão de Tereza pressionou levemente seu braço.
Beatriz virou a cabeça, e Tereza balançou a cabeça levemente para ela.
Então Tereza continuou a olhar para o celular, sem nenhuma mudança de expressão no rosto.
Como se ela nem tivesse ouvido aquelas palavras de agora pouco.
Beatriz respirou fundo e engoliu as palavras que estavam na ponta da língua.
Ela pegou os fones de ouvido, colocou-os e aumentou o volume ao máximo.
O que os olhos não veem, o coração não sente.
Berta esperou um bom tempo, mas não obteve nenhuma reação.
Ela levantou a cabeça e olhou para Tereza.
Tereza estava de cabeça baixa olhando para o celular, sorrindo ocasionalmente, sem olhar para lá.
Aquele sentimento de ser completamente ignorada a deixava mais desconfortável do que qualquer contra-ataque.
Seus dedos apertaram o apoio de braço até as juntas ficarem brancas.
Isadora estava sentada na fileira de trás, usando fones de ouvido, de olhos fechados dormindo. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo na frente.
—
Quando Adilson voltou do banheiro, a atmosfera na primeira classe estava um pouco estranha.
Berta estava de cabeça baixa, sem falar. Tereza estava olhando para o celular. Beatriz estava usando fones de ouvido, folheando a revista.
Ele voltou para o seu assento, e assim que apertou o cinto de segurança, ouviu Beatriz falar.
— Sr. Ferreira.
Adilson virou a cabeça.
Beatriz tirou um lado do fone de ouvido, com um sorriso no rosto, mas aquele sorriso não tinha calor:
— A família Ferreira é realmente rica e poderosa, seria ótimo se o senhor trouxesse um médico particular para a sua noiva quando viajassem. Assim evitaria que ela sentisse desconforto aqui e ali, e ainda tivesse que pedir ajuda a nós, "pessoas irrelevantes".
Ela fez uma pausa, com o tom ainda mais frio: — Além disso, e se alguém tentar nos incriminar? Nós não podemos assumir essa responsabilidade.
Adilson franziu a testa.
Ele olhou para Berta.
Berta estava de cabeça baixa, com os olhos vermelhos, parecendo muito injustiçada.
Ele olhou para Tereza novamente.
Ela continuava olhando para o celular, sem nenhuma reação.
Como se tudo isso não tivesse nada a ver com ela.
Adilson respirou fundo, e sua voz esfriou:
— O que foi agora?
Berta levantou a cabeça, com lágrimas nos olhos: — Adilson, eu não...
— Eu perguntei o que foi. — Adilson a interrompeu.
Berta abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada.
Adilson olhou para ela, em silêncio por alguns segundos.
Então ele falou, com a voz tão calma que não tinha nenhum calor:
— Se não está se sentindo bem, então desça do avião. Vou pedir para Marcos Lima reservar o próximo voo para te levar de volta à Capital.
O rosto de Berta ficou pálido.
Ela balançou a cabeça desesperadamente: — Não é nada, Adilson, eu realmente estou bem, foi só um pouco de enjoo, já passou...
Adilson não olhou mais para ela.
Ele se recostou no assento e fechou os olhos.
Berta ficou sentada ali, com as lágrimas ainda nos olhos, mas não ousou fazer nenhum som.
Toda a primeira classe ficou em silêncio.
Apenas o zumbido dos motores do avião continuava.
—
Durante o resto da viagem, Berta não sentiu mais "desconforto".
Ela ficou sentada em silêncio, sem se mover.
Tereza não olhou para ela nem uma vez do começo ao fim.
Apenas antes do avião pousar, ela recebeu uma mensagem de Caio Mendes:

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