Beatriz olhou para ela, surpresa.
De repente, ela sentiu que estava sendo um pouco infantil.
Aquelas palavras afiadas, o prazer de defender a amiga, pareciam tão... diante da verdadeira indiferença de Tereza.
— Desculpe, Tereza, — ela abaixou a cabeça, com a voz mais baixa, — eu te causei problemas?
Tereza virou a cabeça, olhou para a expressão dela e estendeu a mão para bagunçar seu cabelo.
— Não. — Ela disse, com a voz suave. — Contanto que você esteja feliz.
Beatriz levantou a cabeça, e seus olhos brilharam novamente: — Sério?
— Sério. — Tereza assentiu. — Mas não precisa fazer isso na próxima vez. Eles não valem a sua saliva.
Beatriz assentiu com força: — Certo! Eu me lembrarei!
Ela se recostou no sofá, pensou um pouco e não pôde deixar de rir: — Mas, honestamente, a expressão de Berta foi muito engraçada. O rosto dela ficou verde! E aquele Adilson, ficou sem palavras com as minhas respostas, só pôde ficar lá parado olhando para você. Você não viu o olhar dele, tsc tsc tsc...
Tereza ouviu-a tagarelar, sem interromper.
Lá fora, o sol estava perfeito.
Um avião estava taxiando na pista, preparando-se para decolar.
—
França, arredores de Paris.
Uma vasta mansão privada estava escondida nas profundezas de um bosque de plátanos. O portão de ferro forjado se abriu lentamente, e ao longo do caminho de cascalho havia um jardim francês bem cuidado. A fonte brilhava sob o sol da tarde, e esculturas de mármore estavam silenciosamente entre as flores.
Jardim dos fundos da mansão.
No gramado verde, duas mulheres jogavam golfe.
A que estava na frente usava um suéter bege, calças casuais marrom-claro, com o cabelo preso frouxamente na nuca, revelando um pescoço branco. Ela segurava o taco, com a postura correta, olhando atentamente para o buraco ao longe.
A mulher atrás usava uma blusa esportiva azul-safira, calça legging preta e tênis branco. Ela estava ao lado, também segurando um taco, mas não o balançava, apenas olhava para as costas da mulher à frente.
— Ouvi dizer que sua irmã vem para a França. — A mulher de azul-safira disse, com um tom casual, como se estivesse conversando sobre o dia a dia.
Os movimentos da mulher à frente pararam.
Apenas por um instante, e então ela balançou o taco.
O taco desenhou um belo arco, e a pequena bola branca voou alto, atravessou o gramado e caiu precisamente perto do buraco.
Ela se endireitou, olhou na direção em que a bola caiu, e o canto de sua boca se curvou lentamente.
— É mesmo? — Ela disse, com a voz muito baixa, com um toque de preguiça, mas que inexplicavelmente causava um frio na espinha.
A mulher de azul-safira olhou para ela e não disse mais nada.

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