Sede do Grupo Mendes, seis da tarde.
Do lado de fora da janela do chão ao teto, as luzes da beira do rio se acendiam uma por uma, deixando a cidade parecer um mar de estrelas brilhantes. Caio Mendes estava sentado atrás da mesa, girando uma caneta-tinteiro na mão — era o presente que seu avô lhe dera no seu aniversário de dezoito anos.
Uma Parker 51, edição limitada, com um pequeno "Caio" gravado na tampa.
Nesses anos, ele assinou inúmeros contratos com essa caneta, com valores variando de dezenas de milhões a bilhões. O corpo da caneta já estava um pouco gasto e liso, mas ele continuava usando, nunca a havia trocado.
Renan estava em pé diante da mesa, relatando as notícias que acabara de receber.
— Sr. Mendes, tudo verificado. A Dra. Tereza vai para Paris na próxima sexta-feira, para participar da cerimônia do Grande Prêmio Internacional de Design de Joias. A melhor amiga dela, Beatriz, também vai junto. — Ele fez uma pausa. — Além disso... O Sr. Ferreira também comprou passagens para o mesmo voo.
A caneta na mão de Caio Mendes girou uma vez, e depois outra.
Ele não disse nada.
Renan observou a expressão dele com cuidado e perguntou hesitante: — Sr. Mendes, quer que eu compre passagens para o mesmo voo para o senhor? Assim o senhor poderá ir com a Dra. Tereza...
— Não precisa. — Caio Mendes o interrompeu.
Renan ficou surpreso.
Caio Mendes parou de girar a caneta, levantou a cabeça e olhou pela janela. Havia barcos de passeio passando lentamente pela superfície do rio, e as luzes dos barcos lançavam reflexos oscilantes na água.
— Nós vamos antes. — Ele disse.
— Antes? — Renan piscou. — Mas a Dra. Tereza e a amiga só chegam na sexta-feira...
— Então chegaremos antes de sexta-feira. — Caio Mendes colocou a caneta na mesa, levantou-se e foi até a janela. — Vá descobrir em qual hotel a Dra. Tereza vai ficar em Paris e a que horas ela chega. Vá ao aeroporto buscá-las com antecedência.
Renan entendeu de repente: — O senhor planeja fazer uma surpresa para a Dra. Tereza?
Caio Mendes não respondeu, mas os cantos de sua boca se curvaram levemente.
Renan entendeu o recado e assentiu apressadamente: — Certo, Sr. Mendes, vou verificar agora mesmo!
Ele se virou para sair, mas foi chamado novamente por Caio Mendes.
— Espere.
Renan olhou para trás.
Caio Mendes estava diante da janela, de costas para ele, com a voz calma: — Do lado do Adilson... Entre em contato com o Vitor Lacerda. Lembro que a companhia aérea da família dele tem uma rota da Capital para a França. Peça a ele para organizar e colocar o assento do Adilson mais perto dela.
Renan ficou surpreso e disse com cuidado: — Sr. Vitor? Certo, mas... Sr. Mendes, o senhor não se preocupa? E se eles...
— Não. — Caio Mendes o interrompeu, com o tom firme. — Adilson ir atrás dela assim só vai fazê-la ter mais raiva dele.

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