Diante da janela de observação da UTI VIP, Caio Mendes estava em pé há uma noite inteira.
Dentro da parede de vidro, a ECMO de Magnólia já havia sido retirada, substituída por equipamentos de monitoramento mais precisos. Seu rosto ainda estava pálido, mas comparado ao tom acinzentado de depois da cirurgia, agora pelo menos tinha um pouco de cor. A frequência do respirador estava ajustada para bem devagar, seu peito subia e descia levemente com a respiração espontânea, e seus cílios tremiam de leve sob as pálpebras.
A mão de Caio estava pressionada contra o vidro, as pontas dos dedos brancas pela força.
— Sr. Mendes. — O médico responsável, Dr. Wagner, se aproximou e disse em voz baixa. — A senhora já acordou e está consciente. Agora é permitido que um familiar vista a roupa de proteção e entre para visitar, por no máximo quinze minutos.
Caio virou a cabeça bruscamente:
— Eu entro.
— Certo. — Dr. Wagner assentiu. — Vou pedir para prepararem a roupa de proteção.
Cinco minutos depois, Caio, vestindo um conjunto completo de proteção azul, máscara e óculos de proteção, empurrou a porta do quarto suavemente.
O quarto estava muito silencioso, apenas com o som regular dos vários aparelhos. O cheiro de desinfetante era forte, misturado com o aroma de remédios. Caio foi até a cama, com passos muito leves.
Os olhos de Magnólia estavam semicerrados, o olhar um pouco disperso, até ver o filho, quando focou lentamente. Seus lábios se moveram, querendo dizer algo, mas o tubo traqueal ainda estava ligado ao respirador e ela não conseguia emitir som.
Caio sentou-se na beira da cama e estendeu a mão para segurar gentilmente a mão da mãe. Aquela mão estava fria e magra, a pele tão fina que era quase transparente, dando para ver as veias azuis por baixo.
— Mãe. — Sua voz saiu pela máscara, um pouco abafada, mas extremamente gentil. — Acabou. A cirurgia foi um sucesso, você sobreviveu.
Os dedos de Magnólia se moveram levemente na palma da mão dele.
Caio apertou a mão dela e continuou:
— Não tenha medo, eu estou aqui. O médico disse que você já passou da fase mais perigosa, agora é só se recuperar bem.
Lágrimas escorreram do canto dos olhos de Magnólia, sumindo nos cabelos brancos nas têmporas.
Caio usou a outra mão para enxugar suavemente as lágrimas dela, com movimentos desajeitados, mas cuidadosos:
— Não chore. Mãe, não vamos chorar. De agora em diante... de agora em diante eu não vou deixar mais ninguém te machucar. Eu prometo.
Ele falou bem devagar, cada palavra dita com muita seriedade.
A porta do quarto foi aberta novamente com suavidade, e Bernardo Vidal entrou vestindo a mesma roupa de proteção. Seus passos eram leves. Ele foi até a cama, olhou para a irmã e seus olhos ficaram vermelhos na mesma hora.
— Magnólia. — Ele falou com a voz um pouco embargada. — Você me assustou.
Magnólia olhou para o irmão, e as lágrimas fluíram com mais força.
Bernardo estendeu a mão e deu tapinhas leves nas costas da outra mão da irmã:
— Acabou, acabou. Com o Caio aqui, comigo aqui, ninguém mais vai pensar em te maltratar.
Ele fez uma pausa, o tom ficando sério:

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