Terminal 3 do Aeroporto Internacional da Capital, saguão de embarque internacional.
Às sete da manhã, o aeroporto já estava movimentado. As transmissões alternavam informações de voos em português e inglês, os passageiros com malas andavam apressados e havia longas filas nos postos de segurança.
Na entrada do canal VIP, Berta Ramos usava um sobretudo bege e óculos escuros, olhando para a irmã que puxava a mala.
Larissa Ramos havia mudado de nome — Anna Valente. Passaporte, certificados de escolaridade, cartões de crédito, tudo era dessa nova identidade. Ela usava uma jaqueta de couro preta, calça jeans, botas nos pés, uma bolsa transversal enorme e um par de óculos escuros que cobria a maior parte do rosto.
— Quando chegar à França, alguém vai te receber. — A voz da Berta Ramos era fria e neutra, sem demonstrar nenhuma emoção. — O lugar para morar já está arranjado, não fica longe da escola. Lá tem um mordomo e uma babá, e as despesas de subsistência serão depositadas no seu cartão mensalmente.
Dizendo isso, ela tirou um cartão bancário da bolsa e o entregou a Larissa Ramos: — Tem cinco milhões aqui, a senha é o seu aniversário. Lá fora... seja obediente.
Larissa Ramos pegou o cartão, passando a ponta dos dedos pela superfície lisa. Ela deu um sorriso de escárnio, olhando para a irmã através dos óculos escuros: — Não se preocupe, minha irmã, eu com certeza serei muito obediente.
A mãe da família Ramos estava ao lado, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela segurou a mão da filha mais nova, com a voz embargada: — Larissa... se acontecer alguma coisa, ligue para casa, ouviu? Cuide de si mesma lá fora, coma na hora certa, não fique acordada até tarde, não ande com pessoas de má índole...
— Ligar para você vai ajudar em quê? — Larissa Ramos virou a cabeça e interrompeu a mãe, com o tom cheio de sarcasmo. — Mãe, além de chorar, o que mais você sabe fazer? Enquanto eu estava presa, quantas vezes você me ligou? Quantas vezes foi me visitar?
A mãe foi atingida por essas palavras e chorou ainda mais, cobrindo a boca sem conseguir falar.
O pai da família Ramos estava um pouco mais longe, com o rosto pálido. Ele olhou para a filha mais nova, moveu os lábios e finalmente disse apenas uma frase: — Quando chegar lá... comporte-se.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa