A equipe médica empurrou a cama para o quarto e começou a conectar os vários equipamentos. Havia um monitor maior fixado na parede, e as formas de onda e os dados na tela eram mais detalhados do que os dos aparelhos portáteis. O respirador, a unidade principal da ECMO, a bomba de infusão, a bomba de nutrição enteral... várias máquinas cercavam a cama, emitindo sons baixos de funcionamento.
Os enfermeiros ajustaram habilmente os parâmetros, verificaram se os tubos estavam desobstruídos e trocaram as bolsas de medicamentos. O Dr. Wagner Silva estava ao lado da cama, segurando o prontuário e anotando algo.
Caio Mendes ficou do lado de fora da parede de vidro, observando em silêncio.
A luz da manhã entrou pela janela do outro lado do quarto e caiu no rosto pálido da mãe. A luz era suave, mas iluminava claramente até os pelos finos no rosto dela, fazendo-a parecer tão frágil que quase parecia transparente.
A mão de Caio Mendes cerrou-se lentamente ao lado do corpo.
Ele queria entrar, queria segurar a mão da mãe, queria dizer a ela para não ter medo e que ele estava ali, assim como ela fazia com ele. Mas ele não podia. Ele só podia ficar ali, separado por aquele vidro frio, vendo-a deitada sozinha no meio daquelas máquinas.
Essa sensação de impotência era mais angustiante do que qualquer fracasso em negociações comerciais.
Hugo ficou meio passo atrás dele e disse em voz baixa: — Sr. Mendes, a Dra. Tereza disse que vai para a sala de descanso organizar os registros da cirurgia primeiro e virá ver a Senhora Magnólia mais tarde.
Caio Mendes assentiu, os olhos ainda fixos no quarto.
O tempo passou minuto a minuto. No quarto, os enfermeiros registravam os sinais vitais a cada quinze minutos, e o Dr. Wagner Silva verificava o status da ECMO a cada meia hora. Tudo prosseguia de forma ordenada, e aqueles números e formas de onda frios eram a prova de que a mãe ainda estava viva.
Caio Mendes ficou ali, como uma estátua.
Até que...
Passos apressados vieram de repente do fim do corredor.
O som era particularmente estridente no andar silencioso da UTI. Era o som nítido de sapatos de couro pisando no chão de mármore, e não era apenas uma pessoa, mas pelo menos três ou quatro.
A testa de Caio Mendes franziu instantaneamente.
Quem? Quem ousava fazer esse tipo de barulho a essa hora, nesse lugar?
O rosto dele escureceu, e a raiva reprimida surgiu em seus olhos. A mãe tinha acabado de sair de perigo e precisava de repouso absoluto e silêncio. Nesse momento, qualquer perturbação era imperdoável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa