Às nove em ponto, Tereza Viana empurrou a porta de vidro da ala de internação.
Hoje ela vestia uma camisa azul-clara sob o jaleco branco, o cabelo preso em um rabo de cavalo alinhado, e o rosto exibia o cansaço de quem virou a noite. Na noite anterior, ficou no laboratório até de madrugada e acordou às seis da manhã para fazer mingau para o avô.
— Bom dia, Dra. Tereza! — Assim que a viu, Luciana correu até ela segurando as flores, com os olhos brilhando.
Tereza parou, o olhar caindo sobre o buquê roxo escuro. Suas sobrancelhas se moveram de forma quase imperceptível, mas logo ela recuperou a expressão suave.
Várias enfermeiras do turno da manhã diminuíram o passo, fingindo organizar materiais, mas na realidade estavam espionando a cena. A recepção virou um pequeno ponto de atenção, com os olhares de todos alternando entre Tereza e as flores.
— Dra. Tereza, isto é para a senhora. — Luciana entregou as flores, com um sorriso de expectativa cautelosa. — O Sr. Mendes mandou entregar.
Tereza olhou para os olhos curiosos de Luciana e depois para os olhares ao redor. Ela suspirou de leve, um sorriso impotente, porém gentil, surgindo nos lábios, e estendeu a mão para pegar as flores.
O buquê era pesado e a embalagem, requintada. Ela viu o cartão bege no meio das flores, mas não o tirou para ler.
— Obrigada. — Sua voz era suave, com um toque do cansaço matinal, mas bastante amável.
Não perguntou quem havia mandado, não leu o cartão, nem demonstrou qualquer outra reação. Como se tivesse apenas recebido uma encomenda comum, só que com uma atitude um pouco mais dócil que o normal.
Todo o discurso que Luciana havia preparado foi inútil. Ela só pôde ver Tereza segurando as flores, acenando gentilmente para ela e se virando em direção ao elevador.
As portas do elevador se fecharam, deixando Tereza sozinha na cabine. Ela olhou para as flores em seus braços; as pétalas roxas escuras tinham um brilho aveludado sob a luz. Ela puxou o cartão, que continha apenas uma linha:
[Tudo que envolve você é romântico. Gostar de você não é só o agora, é para a eternidade.]
A caligrafia era firme e concisa. Sem saudações extras, sem assinatura.
Tereza encarou a frase por dois segundos e colocou o cartão de volta no buquê.
O elevador chegou ao andar e ela saiu com as flores. No corredor, uma enfermeira a cumprimentou: — Bom dia, Dra. Tereza! Que flores lindas!
Tereza assentiu, sorriu de forma amável, mas não respondeu sobre as flores.
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Às oito e dez, Tereza colocou as flores no armário no canto do consultório. As rosas roxas escuras chamavam muita atenção no ambiente branco, lado a lado com o buquê de ontem.

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