Eram seis e quarenta da manhã, e o dia mal havia clareado por completo.
Renan estava parado na entrada da ala de internação do Hospital Metropolitano, segurando uma caixa térmica branca com uma etiqueta chamativa de envio internacional: frete aéreo do Equador. Ele olhou para o relógio e depois ergueu os olhos para as portas de vidro do saguão.
Era muito cedo.
As enfermeiras da recepção só trocavam de turno às sete e meia, e ele precisava voltar correndo para a empresa; Caio Mendes tinha uma reunião online importante às nove e meia. Depois de voltarem do hospital ontem, Caio ficou no escritório até tarde da noite. Quando Renan foi buscá-lo esta manhã, viu olheiras fracas sob os olhos do chefe, que claramente não havia dormido bem.
— Sr. Mendes, as flores de hoje... — Renan perguntou, sondando.
Caio estava abotoando as abotoaduras e não levantou a cabeça: — Vá entregar pessoalmente.
O tom era calmo, mas Renan percebeu a frustração. Fazia sentido. Um homem tão orgulhoso quanto o Sr. Mendes ir pessoalmente se "consultar" ontem e receber um "diagnóstico" tão profissional da Dra. Tereza com certeza feriu seu orgulho.
Renan lembrava da cena embaraçosa do consultório no dia anterior: o Sr. Mendes tinha se declarado para ela com a formalidade de quem apresenta um relatório de empresa. E a Dra. Tereza tratou aquilo como uma “transferência psicológica” e sugeriu que ele procurasse o setor de psiquiatria. Naquele momento, encolhido no canto, ele morria de vergonha.
— E as flores devem ser entregues no consultório? — Renan perguntou com cuidado.
— Sim. — Caio fez uma pausa e acrescentou: — Se ela não estiver, peça para a recepção entregar. Não espere por ela.
Renan entendeu. O Sr. Mendes estava... sem coragem de encarar a Dra. Tereza por enquanto.
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