Melina Barbosa já tinha deixado tudo muito claro, mas, para Fernanda Matos, ainda parecia tudo meio nebuloso.
Fernanda Matos disse a Melina Barbosa:
— Você é mesmo uma pessoa estranha. Se quer, diz que quer. Se não quer, diz que não quer. Não é simples?
Melina Barbosa respondeu:
— Não quero.
Fernanda Matos franziu o cenho, visivelmente irritada:
— Por que você gosta tanto de falar ao contrário? Não pode agir normalmente?
Melina Barbosa retrucou:
— Quem não está sendo normal aqui é você. Se continuar falando comigo desse jeito, sem respeito, não tenho problema nenhum em te demitir.
Fernanda Matos ficou um instante sem reação, os olhos começando a marejar:
— Só por causa de uma besteira dessas?
Melina Barbosa olhou para ela, séria:
— Você acha mesmo que é só uma besteira?
Depois de uma breve pausa, Melina Barbosa continuou:
— Na última vez, quando a cliente veio falar conosco sobre as exigências dela, o que foi que você disse?
Fernanda Matos franziu um pouco a testa, como se de repente se lembrasse de algo.
Ela respondeu:
— Eu não acho que fiz nada de errado. A cliente é leiga, não entende nada de design e ainda faz um monte de exigências estranhas, totalmente fora de qualquer estética. E depois de uma reformulação, ainda ficou reclamando. Eu só conversei com ela do meu ponto de vista profissional, qual o problema nisso?
— Não está errado, você é profissional no design. Mas a cliente, de fato, não entende, por isso faz perguntas. Se ela perguntou, você deveria ter respondido com paciência. Mas você não fez isso, discutiu com a cliente. Se não fosse pelo meu esforço em negociar e oferecer desconto, ela já teria deixado de escolher o Grupo Ferreira.
Na verdade, Melina Barbosa nem queria tocar nesse assunto, mas Fernanda Matos se achava demais.
— Não foi como se eu não tivesse pedido desculpas. No fim das contas, ela escolheu meu design mesmo assim. Então, qual é o problema?
— Você ainda não percebeu o erro que cometeu?
— Que erro? — Fernanda Matos perguntou.

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