Elisa Ferreira estremeceu, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Ela mordeu o lábio e balançou a cabeça, determinada:
— Não quero!
Da última vez que foi punida e teve que ficar ajoelhada, acabou pegando febre. Passou a noite toda delirando, com dores nas costas e na cintura, parecendo que estava à beira da morte!
Agora que finalmente tinha se recuperado, de jeito nenhum queria passar por aquilo de novo!
— Então é isso — Tadeu Ferreira fez uma pausa antes de continuar — Mesmo que você realmente odeie Melina Barbosa e queira fazer alguma coisa contra ela, nunca pode agir abertamente. Entendeu?
— Pai… eu achei que você…
— Achou o quê? Que eu sou tão generoso assim, a ponto de perdoar quem maltrata minha filha? — Tadeu Ferreira riu, mas havia algo sombrio naquele sorriso — Agora não é o momento. Vamos esperar a oportunidade certa.
— Tá bom, pai, eu entendi — Elisa Ferreira chorava, querendo se atirar nos braços do pai.
Mas Tadeu Ferreira, com certo incômodo, afastou-a um pouco.
— Assim não dá, toda suja desse jeito.
Valéria Barbosa, que era casada com Tadeu Ferreira há muitos anos, conhecia bem aquele olhar no marido e sabia o que ele estava pensando.
Ela então disse para Elisa:
— Elisa, limpe esse rosto, seque as lágrimas e o nariz.
Nesse momento, Tadeu Ferreira a interrompeu:
— Não! Não limpe nada. Daqui a pouco, você vai entrar assim mesmo. Assim, seu avô vai ficar com pena de você. Entendeu?
A observação de Tadeu Ferreira foi certeira. Valéria Barbosa completou:
— Isso mesmo, não limpe. E mais: pense em coisas tristes o caminho todo, continue chorando até chegar lá. Deixe todo mundo ver o quanto você sofreu.
— Tá! — Elisa Ferreira concordou, muito séria.
Logo, a família Ferreira retornou para casa.
Tadeu Ferreira e Valéria Barbosa estavam com os olhos vermelhos, mostrando tristeza.

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