Francisca Martins percebeu algo estranho no tom de voz de Mateus Domingos e, apreensiva, perguntou:
— O que houve? Quem se meteu em encrenca?
Mateus Domingos respondeu, visivelmente nervoso:
— Fui eu.
O coração de Francisca Martins disparou, invadido por uma sensação de mau presságio.
Depois que Mateus Domingos contou tudo o que tinha acontecido, Francisca Martins não conseguiu se conter e soltou:
— Você é mesmo um… docinho de coco!
Dessa vez, Mateus Domingos não tinha tempo para se importar com a bronca de Francisca Martins. Ele falou, aflito:
— Mãe, me ajuda, por favor… Eu não quero ser preso.
A cabeça de Francisca Martins virou um turbilhão.
Ela jamais permitiria que Mateus Domingos fosse parar atrás das grades.
Se isso acontecesse, ela perderia todas as cartas que tinha na manga!
— Eu sei o que fazer. Não mexa um dedo, fique exatamente onde está e espere a polícia chegar até você — orientou Francisca Martins.
Se Mateus Domingos saísse correndo, pareceria ainda mais culpado, como se estivesse tentando fugir da responsabilidade.
Francisca Martins desligou o telefone, pronta para sair, mas foi impedida pelo pai de Mateus.
Ele a encarou e, com uma pitada de ameaça na voz, disse:
— Só vou ajudar o Mateus se você concordar com o que pedi sobre os documentos.
A raiva subiu ao rosto de Francisca Martins, que explodiu:
— Você perdeu o juízo? Ele é seu filho! Como pode usar isso para me chantagear?
— Não tenho escolha, foi você quem me forçou a isso — respondeu o pai de Mateus, com o ar de quem não tinha nada a perder.
Ele achava que Francisca Martins estava encurralada e acabaria cedendo.
Vendo que não havia possibilidade de negociação, Francisca Martins saiu batendo a porta.
O pai de Mateus observou a saída de Francisca Martins, esboçando um sorriso satisfeito, certo de que ela acabaria voltando para lhe pedir ajuda.

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